sábado, abril 5, 2025
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Turistas espaciais da missão da SpaceX voltam à Terra; veja o momento

A SpaceX está encerrando o capítulo mais recente de suas missões comerciais de voos espaciais tripulados com o retorno da missão Fram2. A viagem levou quatro passageiros a uma órbita única ao redor da Terra, permitindo que humanos sobrevoassem diretamente os polos Norte e Sul pela primeira vez.

Liderada pelo bilionário das criptomoedas Chun Wang, que financiou a missão, a tripulação da Fram2 esteve em órbita livre desde a última segunda-feira (31).

O grupo pousou no mar às 13h19 (horário de Brasília) na costa da Califórnia — o primeiro pouso na costa oeste dos Estados Unidos em cinco anos de missões tripuladas da SpaceX. A empresa transmitiu ao vivo a amerissagem e a recuperação da cápsula em seu site.

Durante a jornada, os membros da tripulação da Fram2 realizaram diversos experimentos científicos, incluindo a captura de imagens de auroras a partir do espaço e o registro de suas experiências com enjoo espacial.

Esse mal-estar se mostrou um problema significativo para a tripulação, segundo postagens de Wang nas redes sociais. Ele fez fortuna com operações de mineração de Bitcoin e é um viajante ávido na Terra.

Lanchas rápidas se aproximando da cápsula Dragon da missão Fram2, na costa da Califórnia
Lanchas rápidas se aproximando da cápsula Dragon da missão Fram2, na costa da Califórnia • SpaceX

“As primeiras horas em microgravidade não foram exatamente confortáveis”, disse Wang em uma postagem no X, a rede social de propriedade do CEO da SpaceX, Elon Musk. “O enjoo espacial nos atingiu — nos sentimos nauseados e acabamos vomitando algumas vezes. Foi diferente do enjoo no carro ou no mar. Você podia ler no iPad sem piorar a situação, mas até um pequeno gole de água podia desestabilizar o estômago e causar vômito.”

Felizmente, Wang acrescentou: “Na segunda manhã, me senti completamente renovado.”

A tripulação compartilhou imagens e vídeos capturados a partir de uma janela abaulada — chamada cúpula — na ponta da cápsula Crew Dragon, que tem 4 metros de diâmetro e formato de gota.

Wang disse ter ficado surpreso ao ver que a Antártica parecia “apenas branca pura” e que “nenhuma atividade humana era visível” de sua posição na espaçonave.

Acompanhando Wang na missão estavam a diretora de cinema norueguesa Jannicke Mikkelsen, a pesquisadora de robótica baseada na Alemanha Rabea Rogge e o aventureiro australiano Eric Philips. Todos os quatro tripulantes da Fram2 têm vínculos com a exploração polar.

“Fram2 é uma missão não convencional”, disse Mikkelsen em uma conversa no X em 28 de março. “Não somos astronautas típicos da NASA… Saímos do nada para sermos certificados como astronautas para voar.”

Algumas primeiras vezes

Essa viagem foi financiada de forma privada, permitindo que os clientes da SpaceX usassem seu tempo no espaço como desejassem. No caso da Fram2, a tripulação viajou preparada para realizar 22 experimentos científicos e de pesquisa, alguns dos quais foram projetados e supervisionados pela própria SpaceX. A maioria dos estudos estava focada na saúde dos tripulantes.

Por exemplo, no retorno à Terra, estava planejado que a tripulação realizasse um “experimento de saída”.

Esse experimento testaria a capacidade dos passageiros de saírem da espaçonave por conta própria após retornarem à Terra. Normalmente, os astronautas recebem assistência da equipe em solo. No entanto, a maioria das missões leva astronautas à Estação Espacial Internacional, onde vivem em microgravidade por meses e precisam readaptar-se à gravidade terrestre.

“O que esperamos ver é a tripulação, um por um, saindo de seus assentos sozinhos, retirando os apoios para os pés, se abaixando para pegar seus equipamentos de sobrevivência, que pesam cerca de 15 kg”, explicou Marissa Rosenberg, engenheira sênior de pesquisa médica da SpaceX, durante a transmissão ao vivo da amerissagem da Fram2.

O experimento de saída foi apenas um dos “primeiros” desta missão. Outro destaque foi o local de pouso: nenhuma missão tripulada da SpaceX havia retornado do espaço e amerissado na costa da Califórnia. Até então, todas as missões tripuladas haviam pousado perto da Flórida.

A empresa afirmou que moveria as operações de recuperação para a Costa Oeste por razões de segurança. Ao reentrar na atmosfera, a cápsula Dragon precisa descartar um anexo cilíndrico chamado tronco. Retornar pelo Pacífico garante que essa peça caia no oceano, em vez de sobre a terra.

O que a tripulação da Fram2 fez no espaço?

Satélites são frequentemente lançados em órbitas polares ao redor da Terra. Assim, embora a visão da Fram2 já tenha sido capturada por satélites, foi a primeira vez que humanos experimentaram essa perspectiva diretamente.

Nenhuma missão tripulada havia sobrevoado diretamente os polos terrestres a partir da órbita da Terra. Os polos gelados do planeta são invisíveis para os astronautas a bordo da Estação Espacial Internacional, por exemplo, que orbita próximo à linha do equador.

Antes da Fram2, a missão soviética Vostok 6, de 1963 — que levou Valentina Tereshkova, a primeira mulher no espaço — chegou mais perto de uma órbita polar, atingindo uma inclinação de 65 graus. A Fram2, no entanto, buscou uma inclinação de 90 graus, viajando perpendicularmente ao equador.

Da órbita, a tripulação pôde avistar Svalbard, um arquipélago norueguês perto do Polo Norte, onde os participantes da Fram2 se conheceram. Wang destacou a importância dessa visão única.

“Sempre digo que a Fram2 é uma missão de Svalbard. Nós, @framonauts, nos conhecemos em Svalbard e amamos o gelo”, escreveu Wang em uma postagem na quinta-feira à noite. “A missão foi planejada quando eu morava lá, e voamos polarmente porque, em uma órbita como a da ISS, não conseguimos ver onde vivemos. Dessa perspectiva, a missão alcançou perfeitamente seu objetivo.”

Colocar a tripulação da Fram2 em órbita polar pode ter mais a ver com a criação de uma missão distintiva do que com a execução de pesquisas científicas ideais, disse o Dr. Christopher Combs, vice-reitor de pesquisa do Klesse College of Engineering and Integrated Design, da Universidade do Texas em San Antonio.

“Essa é uma missão privada. Você precisa de algo para dizer que é diferente e empolgante”, comentou Combs.

Independentemente da trajetória orbital, os tripulantes contribuíram para pesquisas que podem expandir o conhecimento sobre como humanos podem viver e trabalhar em espaços confinados por longos períodos — algo essencial para futuras viagens a Marte.

Os experimentos incluíram Mikkelsen e Rogge usando tiras de teste de urina para medir os níveis hormonais, buscando dados inéditos sobre como mulheres são afetadas pelo voo espacial. Ambas usaram o anel Oura, que monitorou a qualidade do sono dentro da cápsula em gravidade zero. A tripulação também tentou cultivar cogumelos no espaço e permitiu que seus cérebros fossem mapeados para estudos científicos.

O Dr. Eric Donovan, especialista em auroras do departamento de física e astronomia da Universidade de Calgary, disse estar animado com a possibilidade de obter novas imagens das luzes polares vistas do espaço.

Donovan é um dos principais especialistas em um fenômeno luminoso chamado Steve, que só recentemente começou a ser estudado e às vezes aparece nas latitudes setentrionais durante as auroras.

A fotografia de auroras e outros fenômenos luminosos polares não tem sido amplamente feita a partir do espaço, já que astronautas na Estação Espacial Internacional geralmente só podem tentar capturar tais imagens em seu tempo livre, explicou Donovan.

“Essa é uma das possíveis vantagens dos voos espaciais autofinanciados: como são financiados privadamente, os participantes podem escolher o que fazer”, concluiu Donovan.

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Via CNN

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