O governo dos EUA suspendeu o repasse de recursos federais à Universidade da Califórnia (Ucla), em Los Angeles, depois de investigações sobre protestos pró-Palestina no campus realizados no ano passado. O bloqueio atinge cerca de US$ 584 milhões destinados a bolsas extramuros, conforme comunicado do chanceler Julio Frenk no site institucional.
A Casa Branca havia anunciado a possibilidade de cortar verbas de universidades que tivessem tolerado manifestações antissemitas durante protestos contra a ofensiva militar de Israel em Gaza. O governo de Donald Trump considera que a Ucla e outras instituições não coibiram episódios considerados discriminatórios.
Manifestantes contestaram a posição do governo. Eles afirmam que críticas à operação israelense em Gaza e à ocupação de áreas palestinas não equivalem a antissemitismo e que a defesa de direitos dos palestinos não representa apoio a extremismo. O assunto reacendeu debates sobre liberdade de expressão e os limites do protesto em universidades.
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Os EUA revogaram o visto de estudante de Liu Lijun, uma estudante chinesa de pós-graduação na UCLA, devido ao seu apoio aos simpatizantes do Hamas no campus.
Via: jewsinschool
( o vídeo é do ano passado apenas para identificar quem é Liu lijun) pic.twitter.com/h3xhxnYTLh
— Desiree Rugani (@desireerugani) February 1, 2025
Na última semana, a Ucla concordou em pagar mais de US$ 6 milhões para encerrar um processo judicial movido por alunos e um professor, que alegavam ter sofrido antissemitismo no campus. Outras instituições também chegaram a acordos recentes: a Universidade Columbia aceitou pagar mais de US$ 220 milhões, enquanto a Brown anunciou desembolso de US$ 50 milhões para atender exigências do governo.
As negociações entre o governo Trump e a Universidade Harvard continuam. No começo de julho, Washington informou que poderá suspender o repasse de verbas federais à instituição.
A gestão republicana acusa a instituição de permitir um ambiente hostil a estudantes judeus, o que viola a Lei dos Direitos Civis dos Estados Unidos. A Casa Branca encaminhou uma carta ao reitor interino da universidade, Alan Garber, em que aponta falhas graves na condução de denúncias de antissemitismo no campus.

Quatro agências federais assinaram o documento, incluindo o Departamento de Justiça e o Departamento de Saúde e Serviços Humanos. As autoridades afirmam que Harvard deixou de proteger os alunos judeus desde outubro de 2023, depois dos ataques do grupo terrorista Hamas a Israel.
Segundo a carta, a universidade norte-americana teria demonstrado “indiferença deliberada” diante das queixas de assédio, além de adotar medidas tardias e insuficientes para conter a escalada de hostilidade.
Em nota oficial, Harvard respondeu que leva o antissemitismo “muito a sério”. No entanto, rejeitou as conclusões do governo e declarou discordar “fortemente” das acusações de violação da lei.
A Casa Branca tem promovido uma fiscalização mais ampla contra universidades que, segundo Trump, promovem doutrinação ideológica e não garantem segurança a estudantes com opiniões divergentes. Harvard, Columbia e outras instituições passaram a ser alvo de críticas intensas desde o início da guerra entre Israel e o grupo terrorista Hamas.