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Trump anuncia 1,3 mil demissões no funcionalismo dos EUA

O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou nesta sexta-feira, 11, a demissão de mais de 1,3 mil servidores como parte de um amplo plano de reestruturação conduzido pelo governo do presidente Donald Trump. A medida segue decisão recente da Suprema Corte norte-americana que liberou cortes em massa no funcionalismo público federal.

Segundo um alto funcionário do Departamento de Estado, que falou sob condição de anonimato à agência pública NPR, são enviados avisos de dispensa a 1.107 servidores civis e 246 oficiais do serviço exterior que atuam em funções domésticas nos EUA.

No caso dos oficiais do serviço exterior, o afastamento será imediato, com colocação em licença administrativa por 120 dias antes do desligamento formal. Para a maioria dos servidores civis, o prazo de desligamento é de 60 dias.

Segundo documento interno, “as reduções de pessoal foram cuidadosamente delineadas para afetar funções não centrais, escritórios redundantes ou aqueles nos quais há ganhos substanciais de eficiência por meio da centralização ou consolidação de funções e responsabilidades”.

Demissões do governo Trump visam a otimizar a máquina pública

A reestruturação ocorre no contexto de um esforço amplo da Casa Branca para enxugar o governo federal. O plano inclui não apenas cortes no Departamento de Estado, mas também a extinção de agências inteiras, como a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid).

O secretário de Estado, Marco Rubio, tem liderado as mudanças, que incluem a eliminação de 132 escritórios que, segundo ele, compunham uma “burocracia inchada” no governo federal norte-americano.

Em maio, durante audiência no Senado, Rubio justificou: “Havia 40 quadrados neste papel, o que significa que 40 pessoas tinham que marcar ‘sim’ antes mesmo de chegar até mim”, explicou. “Isso é ridículo. E se qualquer uma dessas caixas não fosse marcada, o memorando não avançava. Isso não pode continuar”.

Logotipo da USAID em papéis, em Kiev, Ucrânia (2/12/2023) | Foto: Shutterstock

Rubio argumentou que não se trata de demissões arbitrárias: “Não é uma consequência de querer se livrar de pessoas, mas, se você fecha um departamento, você não precisa mais daqueles cargos”. Ele explicou que parte dos cortes envolve postos que já estavam desocupados ou seriam deixados vagos por aposentadorias antecipadas.

A Suprema Corte dos EUA autorizou recentemente os cortes, mas ações judiciais ainda contestam a legalidade do processo. O Departamento de Estado já havia alertado o corpo técnico na quinta-feira, 10, sobre os desligamentos iminentes.

O subsecretário de gestão e recursos do departamento, Michael Rigas, declarou que os servidores afetados seriam comunicados “em breve” e agradeceu “pela dedicação e serviço aos EUA”. Ele acrescentou que, depois dos avisos de dispensa, o departamento entrará na fase final da reorganização e se concentrará em “diplomacia orientada para resultados”.

Associações e sindicatos contestam decisão

Apesar do respaldo político do governo Trump, a medida enfrenta críticas severas de ex-diplomatas e entidades ligadas ao corpo diplomático. A Academia Norte-Americana de Diplomacia afirmou que os cortes “prejudicarão seriamente a capacidade do nosso governo de entender, explicar e responder a um mundo cada vez mais complexo e disputado”.

Em nota, a entidade classificou a decisão de reduzir o conhecimento institucional e a capacidade operacional do Departamento de Estado como “um ato de vandalismo” e considerou as justificativas de Rubio “desonestas, perniciosas e falsas”.

Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA | Foto: Reuters/Jacquelyn Martin
Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA | Foto: Reuters/Jacquelyn Martin

Thomas Shannon, ex-subsecretário de Estado, declarou que “isso não é apenas sobre eliminar excessos” e que os EUA estão “removendo uma parte significativa dos nossos funcionários civis e do serviço exterior, e reestruturando de forma a refletir uma agenda global diminuída”.

Ele também destacou que a consequência direta da ação é “demitir muitos indivíduos talentosos” e comparou a situação a um jogo de cadeiras em que “de repente, se percebe que não há cadeira disponível”.

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A reestruturação inclui cortes de programas voltados a refugiados, imigração, direitos humanos e promoção da democracia — áreas que, segundo a administração Trump, teriam adquirido viés ideológico contrário às suas prioridades.

A carta enviada pelo Departamento de Estado ao Congresso listou que mais de 300 departamentos e escritórios seriam afetados, com foco em encerrar divisões que realizam trabalhos sobrepostos ou com funções pouco claras.

O sindicato dos diplomatas norte-americanos pediu a suspensão das demissões. O presidente da associação, Tom Yazdgerdi, declarou que as notificações de redução de força “deveriam ser último recurso” e advertiu: “Desestabilizar o Serviço Exterior dessa maneira coloca os interesses nacionais em risco e os norte-americanos em todo o mundo arcarão com as consequências”.

Thomas Shannon também chamou atenção para os impactos de longo prazo da desmobilização da Usaid e da dispensa de especialistas com domínio de línguas e culturas. “A perda pode não ser sentida de imediato, mas deixará os EUA em desvantagem na competição global com países como a China”, alertou.

Via Revista Oeste

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