Com a meta de tornar possível o banho nos rios Tietê e Pinheiros até o final da década, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) propôs ao presidente da Sabesp, Gustavo Piani, que antecipe os esforços de despoluição dessas águas. A secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, destacou nesta quarta-feira, 23, que a expectativa é que esse objetivo seja alcançado já em 2029.
No evento que marcou o primeiro aniversário da concessão da Sabesp para o setor privado, a companhia revelou um plano de quase R$ 70 bilhões em investimentos, com o objetivo de garantir o acesso total à água e ao esgoto no Estado até 2029. Entre as promessas, está a realização do volume de ligações de água e esgoto previsto para cinquenta anos em apenas cinco, o que representa aumento de duas vezes e meia nas instalações em relação ao ritmo atual.
Tarcísio de Freitas elogiou a privatização da Sabesp
Durante a solenidade, Tarcísio elogiou a privatização da Sabesp conduzida por sua gestão e afirmou que, se as metas forem cumpridas, a despoluição dos dois principais rios da capital paulista será possível antes de 2030.
“A gente vai pensar no porquê de a gente ter tantos mananciais poluídos”, disse o governador. “E pensar por que a despoluição do Tietê e do Pinheiros é tema em cada eleição. Será que isso não pode ter uma solução? A gente acredita que pode. Quando a gente faz uma provocação para o [Carlos] Piani dizendo: ‘Nós vamos nadar no Tietê’. E ele diz: ‘Eu vou treinar’, tá posto o desafio. Nós estamos nos desafiando. E a gente está dizendo o seguinte: ‘Isso é possível’. Por que não seria?”
Segundo Tarcísio, a despoluição dos rios depende da universalização dos serviços de água e esgoto da Sabesp, com a redução progressiva do lançamento de resíduos nos cursos da água. Natália Resende explicou que, conforme o contrato firmado, a limpeza do Tietê e seus principais afluentes, incluindo o Pinheiros, deve ser concluída até 2029. Ela ressaltou que os investimentos previstos até lá permitirão reduzir em 54% a carga orgânica no Tietê.
“Quando a gente lançou o Integra Tietê, lá em março de 2023, a gente falou que vai olhar os 1,1 mil quilômetros do Rio Tietê e seus afluentes – como o Pinheiros, que é um deles”, destacou a secretária. “E a gente fez a desestatização da Sabesp para a gente puxar o prazo de universalização de 2033 para 2029 e permitir que a gente avançasse na despoluição.”
O plano da Sabesp prevê etapas de despoluição acompanhadas anualmente por unidades regionais e pela Cetesb, além do aumento dos pontos de monitoramento da qualidade da água. Antes do evento no Auditório do Ibirapuera, zona sul da capital, Tarcísio e Natália visitaram uma exposição sobre despoluição dos rios, protagonizada pelo personagem Chico Bento, da Turma da Mônica.
Histórico de investimentos
O rio Tietê, com extensão de 1,1 mil quilômetros, corta 62 cidades paulistas. Entre 2011 e 2021, conforme dados do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP), mais de R$ 2 bilhões foram destinados a contratos de despoluição. Em março de 2023, uma nova iniciativa foi anunciada, com previsão de custo de R$ 5,5 bilhões e conclusão até 2026.
Apesar desses investimentos, levantamento feito pela Fundação SOS Mata Atlântica em 2024 apontou aumento da mancha de poluição na Bacia do Tietê para 207 quilômetros, maior nível desde 2012. Três dos seis pontos classificados como “péssimos” estão no Rio Pinheiros, em São Paulo, mesmo diante das ações desenvolvidas no programa “Novo Rio Pinheiros”.