Teresina - Piauí sábado, 07 de março 32°C
Destaque / Política

STF age como ‘poder moderador’ ao decidir sobre IOF

Parlamentares da oposição criticaram a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu os atos do Congresso Nacional e do governo Lula referentes ao Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

Nesta sexta-feira, 4, Moraes deu cinco dias para os Poderes prestarem “esclarecimentos” a respeito de suas decisões. O magistrado convocou uma audiência de conciliação, no tribunal, para 15 de julho.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) classificou a decisão de Moraes como “jogo desleal”.

“Um único juiz (adivinha quem?) suspende decisão dos plenário da Câmara e do Senado tomadas por ampla maioria”, escreveu o senador no X. “O governo queria meter mais imposto no lombo do povo, mas o Congresso foi contra. Jogo político. Fim. O novo ‘fundamento’ para o STF não declarar a ação inepta e arquivá-la é que houve um ‘indesejável embate’, vamos fazer uma ‘conciliação’? Não cabe ao STF ajudar o governo em suas pautas insanas.”

O deputado federal Marcel van Hattem (Novo-RS) disse que Moraes “substituiu com sua caneta o parlamento inteiro e ainda pisou em cima do Congresso”.

O também deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) disse que a decisão de Moraes “consolida inequivocamente o Poder Judiciário desvirtuando competências e se colocando acima dos demais”.

Na visão de Ramagem, a medida “apequena o Congresso”. Para ele, a decisão por parte do ministro do STF deixa “mais difícil explicar à população sua utilidade como representatividade popular”.

Decisão sem precedente

A deputada federal Bia Kicis (PL-DF) destacou que a medida adotada por Moraes “não tem precedente”, nem “previsão constitucional”.

“Alexandre de Moraes suspende tudo: decreto de Lula que aumenta o IOF e decisão do Congresso que sustou aquele”, afirmou a parlamentar pelas redes sociais. “E ainda marca audiência para Lula, Camara e Senado se explicarem. Como se ele fosse o poder moderador. Que loucura!”

“É o joãzinho dono da bola: se ele não jogar, ninguém joga, e ainda define as regras do jogo”, disse o deputado Carlos Jordy (PL-RJ) pelas redes sociais.

Já o deputado Gustavo Gayer (PL-GO) afirmou que a decisão de Moraes “cria oficialmente o Xandaquistão”.

“Fecha o Congresso e vai todo mundo para casa logo”, escreveu o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) no X. Ao comentar a decisão de Moraes, a deputada Júlia Zanatta (PL-SC) afirmou que a democracia virou “terra arrasada”.

Líderes consideram “preocupante” a decisão de Moraes no caso do IOF

Em nota, o deputado federal Zucco (PL-RS), líder da oposição na Câmara, disse que apesar de a decisão do ministro manter a suspensão da cobrança pretendida pelo governo, a medida é apenas uma “vitória parcial”, pois, abre um precedente indesejável.

“Essa é uma vitória parcial, mas real, da sociedade contra mais uma tentativa do governo de tapar seu rombo fiscal às custas de quem trabalha”, afirmou o deputado. “No entanto, a decisão também abre um precedente perigoso e indesejável: transforma o Judiciário em um poder moderador de disputas políticas, interferindo num campo que é, por definição, prerrogativa do Congresso Nacional.”

O deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), líder do PL na Câmara, disse que “no 1º round da ‘guerra’ da judicialização do IOF, quem saiu ganhando foi o povo e o Congresso”, mas intromissão do STF “preocupa”.

“O STF agora virou tutor geral da República?”, indagou o deputado em uma publicação no X. “Vamos ter que propor uma PEC para oficializar esse novo ‘cargo’ que já está exercendo…”



Via Revista Oeste

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será publicado. Campos obrigatórios estão marcados.