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Relator chama Vorcaro de “mafioso” e cobra explicações de Moraes

Relator chama Vorcaro de “mafioso” e cobra explicações de Moraes

Ao discursar na reunião da CPMI do INSS nesta segunda-feira (9), o relator Alfredo Gaspar (União-AL) acusou o empresário Daniel Vorcaro de manter “relações suspeitas” com autoridades da República, após a prisão preventiva dele na última semana, e cobrou explicações do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

Durante a fala, Gaspar classificou Vorcaro como “mafioso”. “Qual é a palavra única para definir esse cidadão chamado Vorcaro? Só tem uma: mafioso, gângster, bandido”, disse o relator.

O parlamentar disse ainda que o empresário teria transferido cerca de R$ 80 milhões para a família de Moraes por meio de contratos privados firmados com o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro. O valor foi estimado a partir de informações sobre um contrato de R$ 129 milhões entre o escritório e o Master, reveladas após a prisão de Vorcaro, no ano passado. O escritório confirmou, em nota divulgada nesta segunda-feira (9), ter prestado serviços ao Master entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, sem detalhar valores.

Segundo o deputado, o problema não seria um eventual encontro casual entre autoridades e o empresário, mas sim a existência de negócios financeiros entre as partes.

“Quando você recebe um real de um mafioso já muda a coisa. Mas quando você recebe um contrato de R$ 129 milhões e recebe na conta R$ 80 milhões, quem deve satisfação é quem recebeu”, afirmou.

Gaspar cobra avanço da investigação e suspensão de sigilos

Gaspar afirmou que a CPMI não poderia ignorar as informações e defendeu que o Congresso investigue a relação entre Vorcaro e ministros do STF.

“O Senado da República deveria instalar uma CPI para apurar as relações de Alexandre de Moraes e Toffoli com um mafioso”, declarou.

O parlamentar também disse que as mensagens trocadas entre o empresário e Moraes, citadas em reportagens recentes, seriam “gravíssimas para a República”. Moraes, na semana passada, negou que tenha recebido mensagens de Vorcaro no dia em que o ex-banqueiro foi preso pela primeira vez, em 17 de novembro.

O relator também criticou a decisão do ministro Flávio Dino, do STF, que suspendeu quebras de sigilo aprovadas pela CPMI relacionadas a aliados do governo. Para Gaspar, a decisão representa interferência nos trabalhos da comissão.

“A Justiça do Brasil está com uma medida certinha para beneficiar determinadas pessoas”, afirmou.

Ele acrescentou que a comissão estaria sendo “tolhida” e afirmou que o país estaria vivendo uma “ditadura judicial”.

CPMI quer ouvir Vorcaro sobre fraudes no INSS

Gaspar disse que Vorcaro deveria depor na CPMI do INSS para explicar possíveis vínculos com o esquema investigado pela comissão, que apura suspeitas de fraudes contra aposentados e pensionistas.

Segundo o relator, a comissão pretende esclarecer se recursos desviados do sistema previdenciário poderiam ter sido usados em operações financeiras envolvendo o empresário.

“Eu queria perguntar a ele quanto roubou de aposentado e pensionista”, disse.

O que dizem os envolvidos

O ministro Alexandre de Moraes já afirmou publicamente que não mantém relação irregular com Vorcaro e que não tem participação direta em atividades privadas do escritório de advocacia da família.

Já o empresário Daniel Vorcaro nega irregularidades e sustenta que os contratos firmados com escritórios jurídicos foram legais e relacionados a serviços prestados.

A Gazeta do Povo tentou o posicionamento da defesa de Vorcaro sobre as acusações do relator, mas ainda não teve um retorno. O espaço segue aberto para atualização.

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