Aliado fundamental do movimento Make America Great Again (MAGA) de Donald Trump, o ex-âncora da Fox News e influenciador de direita Tucker Carlson pode ter se tornado um “inimigo de Estado” após o início da ofensiva americana no Irã. Ele é investigado por supostamente ter mantido contato com iranianos antes do início da guerra em curso no Oriente Médio.
O jornalista afirma enfrentar acusações fundamentadas no Foreign Agents Registration Act (FARA), lei usada nos EUA para enquadrar quem atua como agente de interesses estrangeiros. Carlson declarou não acreditar em uma denúncia formal, mas decidiu tornar o fato público devido ao momento de tensão que qualquer guerra potencializa.
Independentemente do processo, Carlson tem sido uma voz estridente contra as operações militares no Irã. Ele classificou a ofensiva como “repugnante e maligna”, além de supostamente contrária a interesses americanos e pró-Israel. Suas críticas o levaram, quase imediatamente, da posição de aliado de primeira hora à de adversário do governo republicano.
“Tucker se perdeu”, disse Trump a Jonathan Karl, âncora da ABC News, na quinta-feira da semana passada. “Eu sei disso há muito tempo; ele não é MAGA. O MAGA está salvando nosso país, nos tornando grandes de novo. O MAGA é ‘América Primeiro’, e Tucker não é nada disso. Ele não tem capacidade de compreender (o movimento).”
Trajetória e Influência
Carlson foi recebido diversas vezes por Trump na Casa Branca e era uma figura de prestígio na órbita do ex-presidente. Ele foi um dos primeiros comunicadores a apostar na eleição de Trump, ainda antes das primárias de 2015 que o escolheram candidato.
Conhecido por suas críticas à imigração, Carlson afirma que os EUA foram prejudicados por governos democratas. Ele também defende que os protestos antirracistas após a morte de George Floyd criaram um sentimento de “racismo reverso” no país. Com esses temas, ele alcançou recordes de audiência com o programa Tucker Carlson Tonight, na Fox News.
Tucker foi demitido da emissora em abril de 2023, após um documentário seu sobre a invasão do Capitólio motivar processos milionários contra a empresa. O processo não foi citado como o motivo oficial. Fontes como o Los Angeles Times mencionaram também desentendimentos com o proprietário da Fox, Rupert Murdoch, devido à crescente independência e influência do apresentador.
Entrevistas Polêmicas
Ele se tornou célebre por entrevistas com líderes de Estado, sendo o primeiro ocidental a entrevistar Vladimir Putin após a invasão da Ucrânia. Ele passou a dar declarações públicas favoráveis a Putin. Sua entrevista com o então presidente da República do Brasil Jair Bolsonaro, ainda na Fox News, repercutiu pela declaração do brasileiro de que temia que a América do Sul se tornasse “toda vermelha” com a vitória do PT.
No ano passado, Carlson entrevistou o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, após a troca de ataques de mísseis entre Tel Aviv e Teerã, que firmou as bases do atual conflito. Na ocasião, Pezeshkian classificou como “intriga de Israel” a acusação de que o país persa possuiria um programa de enriquecimento de urânio para fins militares.
Origens e Ruptura
Nascido em 16 de maio de 1969, em San Francisco, na Califórnia Carlson foi abandonado pela mãe e teve uma criação distante do pai, que tinha um estilo omisso, segundo o biógrafo Chadwick Moore. Formado em História pela Trinity College, iniciou no jornalismo nos anos 1990 em veículos como New York Magazine e Esquire. Nos anos 2000, migrou para a TV, passando por CNN e MSNBC, onde começou a se consolidar como uma voz conservadora.
Em 2010, fundou o site The Daily Caller, que foi chamado de o Huffington Post de direita. Com a ascensão de Trump em 2016, tornou-se um apresentador de primeira linha, pautando a agenda republicana.
Desde sua saída da Fox News, Carlson vem se distanciando do núcleo duro do MAGA. O processo de ruptura se acentuou depois de uma entrevista de Carlson com Nick Fuentes, em 27 de outubro.
A entrevista com o influenciador negacionista do Holocausto gerou acusações de antissemitismo. Alinhado à nova direita, Carlson chamou a ala mais conservadora do partido Republicano como “medíocre e nada criativa”. Tudo isso levou Trump a declará-lo persona non grata na semana passada.