Uma nova rodada da pesquisa Datafolha divulgada nesta quarta (11) aponta que 46% dos entrevistados perceberam uma piora da economia brasileira nos últimos meses. O percentual é maior do que o verificado no final do ano passado, quando 41% se mostravam pessimistas sobre a situação financeira pessoal, de inflação e desemprego.
Já o grupo que afirma ter percebido melhora caiu de 29% para 24% no mesmo período. O percentual atual está entre o melhor resultado registrado na gestão do ministro Fernando Haddad, da Fazenda,, que teve 35% em 2023, e o pico de pessimismo observado em abril de 2025, quando 55% afirmavam que a economia havia piorado.
A avaliação negativa é mais forte entre evangélicos, onde chega a 57%, contra 41% entre católicos. O pessimismo também é elevado entre eleitores que dizem apoiar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à presidência da República, atingindo 77%, enquanto que entre eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) o índice é de 14%.
O Datafolha ouviu 2.004 pessoas em 137 municípios entre 3 e 5 de março. A margem de erro geral é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-03715/2026.
Segundo o Datafolha, o pessimismo também aparece nas expectativas para os próximos meses, em que 35% acreditam que a economia vai piorar, número bem superior aos 21% registrados em dezembro.
Por outro lado, 30% dos entrevistados esperam melhora no cenário econômico, abaixo dos 46% que tinham essa expectativa no fim de 2025. O otimismo é maior entre pessoas de renda mais baixa e moradores do Nordeste.
Em relação ao governo federal, a avaliação positiva de Lula ficou estável em 32% entre dezembro de 2025 e março de 2026. Já a avaliação negativa subiu de 37% para 40%, variação dentro da margem de erro.
Os dados também indicam piora na percepção sobre a própria situação financeira, em que 33% dizem que sua condição econômica piorou nos últimos meses, ante 26% em dezembro. Ao mesmo tempo, caiu o número de brasileiros que afirmam ter melhorado de vida financeiramente, passando de 36% para 30%.
A preocupação com o desemprego também aumentou no país, em que 48% acreditam que o número de pessoas sem trabalho vai crescer nos próximos meses. O índice é superior aos 42% registrados no levantamento anterior sobre o tema. Apenas 21% acreditam que o desemprego deve cair.
Os números contrastam com dados recentes do IBGE, que apontaram taxa de desemprego de 5,4% no trimestre encerrado em janeiro de 2026, um dos menores níveis da série histórica.
Outro fator que preocupa os brasileiros é a inflação, em que 61% dos entrevistados acreditam que os preços devem continuar subindo nos próximos meses. Apenas 11% esperam uma queda da inflação, enquanto 23% dizem que o indicador deve permanecer estável.
A percepção também impacta a expectativa sobre o poder de compra, em que 39% dos brasileiros acreditam que o poder de compra dos salários vai diminuir. Já 32% afirmam que deve aumentar nos próximos meses.