O Primeiro Comando da Capital (PCC) já consolidou suas operações em 28 países, transformando prisões estrangeiras em centros de recrutamento e comando para o tráfico internacional de drogas, armas e lavagem de dinheiro. O g1 divulgou as informações nesta terça-feira, 24.
O Ministério Público de São Paulo mapeou o avanço da facção brasileira. As autoridades apresentaram o levantamento a representantes internacionais para buscar apoio no combate ao crime organizado.
A facção, que surgiu em 1993 dentro da Casa de Custódia de Taubaté (SP), depois do massacre do Carandiru, passou de um pequeno grupo para um império criminoso com cerca de 40 mil integrantes.
Hoje, com faturamento anual que chega a R$ 1 bilhão, o PCC investe em novos territórios. Nesse sentido, o grupo adota a estratégia de dominar cadeias para alavancar seus negócios e solidificar sua estrutura.
O levantamento revela que a América do Sul concentra a maior parte dos integrantes no exterior, com destaque para Paraguai, Bolívia, Venezuela e Uruguai.
A escolha desses países se dá pela extensa fronteira com o Brasil e pela proximidade das rotas do tráfico de cocaína para a Europa. A presença da facção já desencadeou episódios de violência em presídios, como rebeliões no Paraguai, onde o grupo disputa o controle com criminosos locais.
A infiltração, no entanto, não se limita à região. Na Europa, Portugal tornou-se o principal ponto de apoio do PCC, favorecido pela afinidade cultural e linguística, além da forte comunidade brasileira residente no país.
O território português serve como base para o envio de grandes carregamentos de drogas. A facção também lava dinheiro no país por meio de empresas de fachada e suborno de funcionários públicos em portos estratégicos.
Além disso, o grupo consolidou rotas de tráfico em parceria com máfias italianas. A Itália funciona como porta de entrada da cocaína no continente europeu, com remessas enviadas por mar em operações articuladas entre criminosos sul-americanos e famílias mafiosas da Calábria.
Essa aliança levou Brasil e Itália a firmarem acordo de cooperação permanente entre procuradorias. O objetivo é desarticular redes de tráfico e lavagem de dinheiro.
O avanço do PCC na Sérvia e no Líbano indica a busca por novos mercados e parceiros no tráfico de armas e em esquemas de lavagem. Na Sérvia, por exemplo, a facção explora a logística já usada por grupos locais para o comércio ilegal de armamentos.
No Líbano e em Israel, o foco está na movimentação de recursos com o uso de criptomoedas. As operações levantam suspeitas de vínculos indiretos com o financiamento ao terrorismo.
O Japão também aparece no radar da organização criminosa. A facção busca expandir suas operações na Ásia, usando o território japonês como porta para distribuição de cocaína em mercados como Hong Kong e Austrália, onde o quilo da droga atinge valores superiores a US$ 150 mil.
Segurança pública fragmentada desafia combate ao crime
Diante do cenário de crescente internacionalização do PCC, o Brasil reforçou a cooperação com organismos como a Interpol e países estratégicos.
Recentemente, o governo firmou acordos para operações conjuntas, intercâmbio de dados e modernização tecnológica das forças de segurança na América Latina e na Europa.
Apesar dos esforços, o desafio permanece grande. A estrutura fragmentada da segurança pública no Brasil e a ausência de coordenação central dificultam o enfrentamento ao crime transnacional.
Autoridades defendem maior integração entre Estados e a criação de um Ministério da Segurança Pública para unificar estratégias e proteger a democracia e a cidadania.