Durante muito tempo bastava aparecer um escudo europeu do outro lado para muita gente cravar, com a pompa de quem tem bola de cristal: “Já era. Vai dar o time da Champions!”.
Mas o futebol, felizmente, ainda resiste à lógica rasa dos algoritmos e dos comentaristas de rede social.
Principalmente quando entra em campo o maravilhoso e implacável mata-mata, onde currículo pesa menos que coragem — e a grife vale menos que desempenho do dia.
Pois bem. Chegamos às quartas de final da tão falada Copa do Mundo de Clubes da Fifa. Diante de Palmeiras e Chelsea, a verdade salta aos olhos: não existe favorito.
Sim, o Chelsea, da Inglaterra, tem grife, tem Champions, tem libras esterlinas e tudo que tem direito. Mas, sejamos honestos: este Chelsea atual está longe de ser aquele bicho-papão que assombrou a Europa anos atrás.
Situação do Chelsea e do Palmeiras
No torneio, só conseguiu jogar bola contra o fraquíssimo Espérance, da Tunísia. Mesmo assim, sem empolgar.
Quando enfrentou o Flamengo, aliás, foi arrogante: poupou titulares, desrespeitou o jogo e acabou dominado. Parecia mais um amistoso da pré-temporada do que um duelo de Mundial.
Do outro lado está o Palmeiras, que é o time mais cascudo da América do Sul desde 2020. E isso não é frase de efeito. É realidade comprovada por números, títulos e atuações consistentes.
Sob o comando de Abel Ferreira, o Verdão virou uma máquina competitiva, fria e letal. Atualmente, conta com um elenco caro, bem montado e mais valorizado que o de muitos europeus fora da elite.
Ou seja: acabou o tempo de vestir o manto da zebra. O Palmeiras não chega como coadjuvante. Chega como igual ou até mais bem preparado psicologicamente para o embate.
Tem camisa, tem grupo, tem técnico e tem histórico. E tem, sim, totais condições de despachar o Chelsea da competição.
Portanto, repito: não há favorito nesse duelo. Se o Chelsea quiser vencer, vai ter que jogar bola.
Porque se depender só da fama, o Palmeiras está pronto para tirar a equipe europeia do caminho.