A Justiça do Rio de Janeiro tornou réu o funkeiro Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido como Oruam, de 25 anos, por tentativa de homicídio contra dois policiais civis.
A decisão foi tomada pela juíza Tula Correa de Melo nesta terça-feira, 29, depois de uma denúncia do Ministério Público. Oruam teve a prisão preventiva decretada e permanece detido desde o dia 22.
🚨CASO ORUAM: Câmera de segurança mostra rapper batendo no vidro do carro do delegado Moisés Santana. pic.twitter.com/bDqqFhX44T
— Hora da Fofoca (@horadafofocatv) July 29, 2025
O caso envolve o delegado Moysés Santana Gomes e o oficial de cartório Alexandre Alves Ferraz, que participaram de uma operação para cumprir mandado de apreensão de um adolescente supostamente escondido na residência do artista, no Joá, zona oeste do Rio.
Durante a ação, segundo a denúncia, Oruam e Willyam Matheus Vianna Rodrigues Vieira, de 22 anos, lançaram pedras grandes contra os agentes.
Detalhes da acusação contra Oruam
De acordo com o Ministério Público, o oficial sofreu ferimentos nas costas e no calcanhar esquerdo, enquanto o delegado se protegeu atrás de um veículo policial para evitar ser atingido.
“Ambos tiveram que se esconder e desviar dos constantes arremessos, os quais persistiram com elevada intensidade e com clara intenção de atingi-los”, afirmou o promotor Eduardo Paes Fernandes na denúncia.
O ataque teria ocorrido depois de informações sobre a presença do adolescente na casa do rapper. Os policiais permaneceram do lado de fora e, depois de cumprirem o mandado, foram alvo de pedras e insultos.
A investigação afirma que, além de Oruam e Willyam, outras sete pessoas não identificadas teriam participado, posicionando-se em pontos elevados do imóvel para atacar os policiais na rua.
No total, sete pedras foram lançadas, algumas atingiram Alexandre Alves Ferraz. Uma delas, de 4,8 quilos, teria passado muito próxima ao rosto do delegado, com potencial para causar morte, segundo cálculos apresentados pelo Ministério Público. As demais pedras poderiam provocar lesões de menor gravidade.
Registros em vídeo e declarações polêmicas
Vídeos publicados pelo próprio Oruam nas redes sociais mostram o momento em que ele reage à abordagem da polícia. Segundo o Ministério Público, em uma das gravações, o cantor aparece ao jogar pedras contra os policiais. Em outra, ele desafia as forças de segurança a entrarem no Complexo da Penha, citando a resistência armada da região.
“Quero ver vocês virem aqui me pegar dentro do Complexo”, disse Oruam. “Não vão conseguir, sabe por quê? Porque vocês peidam.” Ele também mencionou seu pai, Marcinho VP, indicado como líder do Comando Vermelho e atualmente preso.
O MP afirma que as falas do artista representam ameaça, incitação à violência e desrespeito à autoridade policial. O órgão também investiga um possível elo entre Oruam e uma facção criminosa.
A defesa disse ao portal G1 que o cantor não tentou matar ninguém, que ele se entregou por vontade própria e que vai esclarecer tudo na Justiça. Os advogados também citam relatos de abusos em ações da polícia.
Oruam está preso desde o dia 22, quando se apresentou à polícia, e foi levado ao presídio Bangu 3, no Complexo de Gericinó, na zona oeste do Rio. A unidade abriga integrantes do Comando Vermelho.