Parlamentares da oposição se reunirão nesta segunda (16) para traçar novas estratégias para pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF) a conceder o direito à prisão domiciliar humanitária ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso desde janeiro no 19º Batalhão da Polícia Militar – conhecida como “Papudinha” – em Brasília. Eles utilizarão a recente crise da Corte em meio ao caso do Banco Master para insistir no benefício.
A promessa de pressão ocorre três dias depois de Bolsonaro ser novamente hospitalizado com um quadro de broncopneumonia bilateral, um problema respiratório que seria causado ainda pela facada que sofreu durante a campanha eleitoral de 2018. Neste final de semana, ele chegou a ter uma piora na função renal.
“Vamos continuar pressionando politicamente até o presidente ficar em casa, para que ele possa ter mais dias de vida. A Suprema Corte está envolvida em diversos escândalos de corrupção, tráfico de influência, decisões arbitrárias, perseguição. A gente vai bater pesado nesse sentido”, afirmou o deputado federal Cabo Gilberto Silva (PL-PB), líder da oposição na Câmara, em entrevista à Folha de S. Paulo publicada neste início de semana.
O ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal que levou Bolsonaro à prisão, negou neste mês um pedido da defesa para transferir o ex-presidente à prisão domiciliar. Mesmo após a decisão, aliados do ex-presidente indicaram que um novo requerimento será apresentado ao STF nos próximos dias.
A internação reforçou o argumento de aliados de que o estado de saúde do ex-presidente exige medidas humanitárias. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) já informou que pretende protocolar outra solicitação à Corte, reforçando o argumento de que o estado de saúde do pai exige tratamento em casa.
Neste domingo (15), o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que o pai está “inchado” devido aos antibióticos e “naturalmente irritado” com a situação de saúde. Ele ainda ressaltou que Bolsonaro correu sério risco de morte antes de receber atendimento médico.
“Conversei com os médicos, que foram muito claros: mais uma ou duas horas no estado em que ele se encontrava e, muito provavelmente, a morte teria ocorrido”, afirmou acrescentando que isso é exatamente o que “os canalhas querem”.
Carlos Bolsonaro voltou a defender a transferência do pai para prisão domiciliar, alegando que seria uma medida para “preservação da sua vida”. Ele lamentou que Bolsonaro, “um homem que jamais desviou um centavo dos cofres públicos”, permaneça preso enquanto criminosos estariam soltos e dando ordens no país.
O último boletim médico indicou evolução clínica e melhora na função renal, mas os marcadores inflamatórios no sangue apresentaram nova elevação, exigindo aumento da medicação antibiótica. Jair Bolsonaro segue recebendo suporte clínico intensivo, com intensificação da fisioterapia respiratória e motora, e ainda não há previsão de alta da UTI do Hospital DF Star, na capital federal.