O líder da oposição na Câmara dos Deputados, Luciano Zucco (PL-RS), criticou o programa de “auxílio” às empresas anunciado pelo governo Lula para enfrentar os impactos do “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos. A Medida Provisória foi assinada em evento no Planalto na quarta-feira, 13.
Para o parlamentar, a medida é “meramente paliativa, eleitoreira e incapaz de resolver o problema real”. Zucco afirmou que Lula deveria “ligar para o presidente norte-americano e restabelecer uma negociação direta e franca” sobre o tarifaço.
“O maior e melhor auxílio que o governo poderia dar às empresas brasileiras seria parar de atacar os Estados Unidos — inclusive nos fóruns internacionais, como o BRICS — e cessar o alinhamento automático a ditaduras, priorizando uma política externa que favoreça os interesses do Brasil”, analisou.
O deputado argumentou que não há “capital de giro, suspensão de impostos ou linha de crédito que substitua o comércio sólido e sistemático que o Brasil mantinha com os Estados Unidos”, e que essas relações foram “minadas pela irresponsabilidade diplomática e pelo viés ideológico do atual governo”.
Zucco critica postura de Haddad sobre tarifaço
Zucco também criticou a postura do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que, segundo ele, “usa o anúncio para fazer palanque político e pintar o Brasil como um país ‘plenamente democrático, sem censura e sem perseguição’”.
Para o líder, “a realidade é bem diferente: o Brasil hoje é visto no exterior com desconfiança, envergonhado por sua política externa ideologizada, pelas perseguições políticas internas e por um Judiciário parcial que promove abusos e censura contra opositores”.
“Essa encenação não resolve o problema das empresas, não devolve mercados perdidos e não reverte a crise comercial que o próprio governo ajudou a criar”, destacou. “O que o país precisa é de responsabilidade, seriedade e diplomacia profissional — e não de maquiagem eleitoreira disfarçada de programa de auxílio.”
A medida provisória do governo Lula
A medida provisória com as ações foi assinada pelo presidente Lula durante o evento. Segundo o governo, o pacote, chamado de “Plano Brasil Soberano”, foi elaborado depois de reuniões internas e com representantes do setor produtivo.
O plano prevê apoio às empresas mais atingidas pela taxação, incluindo crédito de R$ 30 bilhões, compras governamentais de produtos não exportados e exigência de conteúdo nacional em mercadorias fabricadas no país.
De acordo com o Ministério da Fazenda, cerca de 45% das empresas que vendem para os EUA devem ser beneficiadas. Setores como celulose, aviação e suco de laranja ficaram isentos do aumento. Já áreas como carne e café receberam taxa adicional de 40% sobre a alíquota de 10% já existente, totalizando 50%, em vigor desde 6 de agosto.