Por Meire Castelo Branco
Um acontecimento extraordinário. Essa possivelmente é a melhor expressão para nomear o impensável encontro, 45 anos depois, de concludentes do ensino fundamental – antigo curso ginasial – para celebrarem a vida. Deu-se em PIO IX, uma cidade incrustrada na região sudeste do Piauí, já quase no Ceará, numa das regiões mais tórridas do polígono das secas.
Inicialmente ajuntados em um grupo virtual de troca de mensagens, os amigos rapidamente idealizaram um encontro presencial, em PIO IX, para comemorarem e marcarem a efeméride de 45 anos da “colação de grau”. E assim se deu. Nos dias 20, 21 e 22 de junho próximo passado os “humanistas” – nome com o qual a turma foi batizada desde a colação de grau, se reuniu em PIO IX, em solenidades e festas que marcaram toda a cidade.
Após o encontro o grupo idealizou a publicação de um livro, o qual, segundo os autores, expressaria “as memórias de uma geração de piononenses”. As quatros amigas que estiveram na base operacional do encontro – Audoeme Antão, Martha Rachel, Josélia Leite e Cândida Viana – se encarregaram da organização da obra, sendo auxiliadas pelo também “humanista” e professor da UFPI, com larga expertise em publicação de obras, Edwar Castelo Branco.
Ao longo de dois meses foram colhidos depoimentos, elaborados e revisados textos e a editora Cancioneiro aceitou a empreitada de publicar. “Vivências de um tempo interminável”, o título da obra, é um livro tocante. Impossível lê-lo sem se emocionar. O poeta e músico Isaac Souza, na apresentação da obra, sintetizou bem o sentido geral do livro: “em junho de 2025, no reencontro dos Humanistas de 1979, eu conheci dezenas de versões subjetivas de Pio IX. (…) Em cada um, uma cidade sonhada e vivenciada de maneira única. A cidade como projeto, a cidade como refúgio. A cidade como responsabilidade, a cidade como delírio. A cidade como brinquedo, a cidade como trabalho. Nos olhos de alguém, a cidade como prêmio; na pele de outrem, a cidade como sentença”.
Esse turbilhão de memória e bem querer virá a público, novamente, no próximo dia 17, às 19 horas, na pracinha da igreja, em PIO IX, para o lançamento do livro. Estarão presentes, entre outros, o presidente da Academia de Letras da Região de Picos (ALERP), Francisco de Assis, e o vice-prefeito e presidente da Academia de Letras da Região de Fronteiras, Norberto Pereira

“O tempo não para” — Essa parte expressa uma verdade universal: o tempo é contínuo, implacável, não espera por ninguém. Ele segue seu curso, indiferente às nossas vontades ou sentimentos.
“Mas às vezes a memória dá marcha à ré” — Aqui entra o contraste poético. Embora o tempo siga em frente, nossa mente tem o poder de voltar atrás. A memória funciona como uma espécie de veículo emocional que pode retornar a momentos específicos, revivendo sensações, dores, alegrias ou saudades. Geraldo Castelo Branco.