De dentro de seu bunker em Caracas, o narcoditador Nicolás Maduro acaba de anunciar a mobilização de “4,5 milhões de milicianos” para enfrentar a “ameaça fascista” dos Estados Unidos. A cifra deve ter lhe sido soprada pela encarnação animal de Hugo Chávez, o passarinho que volta e meia aparece ao bufão sanguinário.
Formado por delinquentes, famélicos e ectoplasmas dignos de um romance de García Márquez, o exército anunciado não passa de mais um espetáculo histriônico, bem típico de regimes totalitários moribundos. A Venezuela chavista, asfixiada por sanções e devastada pela miséria, pode ser forte contra uma oposição esfomeada e desarmada, jamais contra as forças armadas da nação mais poderosa do mundo.
Como se sabe, o pretexto de Maduro é o aumento da recompensa norte-americana por sua captura, de US$ 25 milhões para US$ 50 milhões, e uma operação antidrogas no Caribe que expõe o Cartel de los Soles, do qual Maduro e sua cúpula de governo são os chefes. Com bravatas de taberna, o narcoditador promete armar camponeses e operários, enquanto centenas de milhares de venezuelanos continuam cruzando a fronteira para o Brasil, fugindo da fome e do desespero.
Herança de Hugo Chávez, a milícia bolivariana não é força de resistência, mas um bando de jagunços maltrapilhos, cuja missão é silenciar dissidentes e sustentar um regime em ruínas. Para segurar esse castelo de cartas, Maduro recorre também a sicários cubanos, enviados por Havana para treinar e vigiar suas tropas, uma tutela estrangeira que revela a fragilidade do chavismo.
A acusação contra Maduro
A procuradora norte-americana Pam Bondi acusa Maduro de orquestrar o tráfico de 30 toneladas de cocaína, com bens confiscados avaliados em US$ 700 milhões. Diante desse cerco, o tirano desenterra o clichê do “imperialismo ianque”, convocando “milícias camponesas” como se fossem personagens de uma ópera bufa. O gesto ecoa os delírios finais de Hitler, prometendo o reforço de forças de elite fantasmas enquanto Berlim desmoronava, ou de Ceausescu, fiando-se numa imaginária lealdade popular no instante mesmo em que Bucareste em peso o vaiava.
Maduro segue o mesmo roteiro, prometendo “fuzis para a classe operária” enquanto a Venezuela se reduz a um deserto de esperanças. Seus militares, declarados leais, agarram-se às sobras de um Estado falido, sob o olhar vigilante dos capatazes cubanos. Pavoneando-se como um Nero caribenho, e numa vã tentativa de conjurar um exército de Brancaleone, o sucessor de Hugo Chávez prossegue em sua dança de bravatas, cavando mais e mais a própria cova.
“Enquanto o ditador sonha com fuzis, o povo sonha com um pouco de proteína”
Enquanto os chavistas bradam “soberania”, a Venezuela se dissolve em penúria e êxodo. Os sicários cubanos de Maduro, capatazes de um regime que fede a mofo, não salvam, mas apenas adiam o inevitável. Enquanto o ditador sonha com fuzis, o povo sonha com um pouco de proteína. E assim, entre a fanfarra de um déspota e o silêncio de uma nação exaurida, o chavismo marcha, com passos trôpegos, para o cadafalso da história, onde a mentira socialista encontra o seu veredito.
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