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O Palmeiras precisava de bola nos pés, não de faca nos dentes

A raiva, meus amigos, quando bem canalizada, pode ser o melhor dos combustíveis no esporte. Mas, quando desgovernada, vira fogo no parquinho e incendeia o time errado. Foi exatamente isso que aconteceu com o Palmeiras, eliminado pelo Corinthians nas oitavas de final da Copa do Brasil na noite desta quarta-feira, 6, em pleno Allianz Parque.

O time de Abel Ferreira entrou em campo com os olhos vermelhos, não pela emoção da rivalidade, mas pela sede de vingança. Dava pra ver no semblante de cada jogador: “Hoje vamos ganhar na marra, na força, no grito!”

Pois é. Só esqueceram que futebol não se vence com espuma na boca.

Com menos de 15 minutos de jogo, o volante Aníbal Moreno, completamente fora de si, acertou uma cabeçada criminosa no rosto do corintiano José Martínez e foi expulso com toda razão. Ali, o jogo acabou.

O Corinthians, que já vinha crescendo sob o comando sereno e estratégico de Dorival Júnior, tratou de cozinhar o Porco em banho-maria. Com tranquilidade, sem pressa. Sobrou chance de ampliar o placar e transformar a noite do Allianz Parque em um trauma ainda maior.

A situação do Palmeiras

Já o Palmeiras de Abel, conhecido por seu lema “cabeça fria, coração quente”, subverteu os próprios valores. Jogou com a cabeça quente, o coração frio e, no fim, ficou de pernas bambas vendo o rival crescer em seu quintal.

É triste ver um elenco tão qualificado, bicampeão da América e exemplo de regularidade nos últimos anos, se perder emocionalmente a esse ponto. O futebol não é guerra.

“Que fique a lição: raiva sem controle não vence clássico. E muito menos campeonato”

Abel Ferreira construiu um time vitorioso com base em posse de bola, intensidade e disciplina. Não com sede de vingança. Que fique a lição: raiva sem controle não vence clássico. E muito menos campeonato.

Ainda dá tempo de salvar o ano, é verdade. Isso porque o Verdão segue vivo no Brasileirão e na Libertadores. Contudo, pra isso, precisa reencontrar a própria essência

Aquela que encantou o Brasil de 2020 a 2023. Porque o Palmeiras com a bola nos pés é temido. Mas o Palmeiras com a faca nos dentes só assusta a si mesmo.

Via Revista Oeste

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