sábado, abril 5, 2025
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O evento de Lula em comemoração aos 2 anos de mandato

Um dia depois de uma pesquisa Genial/Quaest confirmar a queda de sua popularidade, Lula fez, nesta quinta-feira, 3, um evento em Brasília para marcar dois anos de governo. Com promessas de campanha ainda pendentes, o petista reapresentou medidas antigas e afirmou ter encontrado o país em “ruínas” ao reassumir o cargo.

O ato também marcou o lançamento da campanha “O Brasil é dos brasileiros”, em contraponto ao presidente dos EUA, Donald Trump, e aos aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, que veem o governo norte-americano de modo positivo. 

O lema será veiculado em rádios e TVs e começou a ser usado por aliados de Lula para confrontar diretamente a frase “Make America Great Again”, usada por Trump e adaptada por apoiadores de Bolsonaro como “Make Brazil Great Again”.

Lula criticou o “tarifaço” anunciado pelo presidente dos EUA. O discurso é para reforçar a narrativa de que o governo petista defende os interesses do povo brasileiro. O evento destacou números positivos da gestão, como a geração de empregos, e incluiu depoimentos de apoiadores. 

Além disso, vídeos em tom eleitoral promoveram programas como o Mais Médicos e o Bolsa Família. 

“É a reconstrução de um país deixado em ruínas pelo governo anterior. O Brasil é um país que volta a sonhar com esperança, com mais desenvolvimento, mais inclusão social”, disse Lula, em crítica à gestão de Jair Bolsonaro. “Ainda há muito a ser feito. Precisamos da união de todos para derrotar o ódio e a mentira.”

Sidônio pensou em reduzir dimensão do evento

O ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira — responsável pela campanha de Lula — se irritou com falhas técnicas na exibição das imagens. Segundo o jornal O Globo, ele quis recuar da grandiosidade do evento de ontem depois de a pesquisa divulgada na véspera mostrar a desaprovação ao governo em alta e descolada da aprovação.

Palmeira considerou desistir de realizar a solenidade em um centro de convenções brasiliense e abrigá-la no Palácio do Planalto, mas Lula quis manter o que estava combinado.

Em busca de recuperar a popularidade, Lula apresentou novas ações, como a reformulação do programa Celular Seguro e o envio ao Congresso do projeto que isenta do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil por mês. “Novos anúncios estão chegando”, afirmou. “O Minha Casa Minha Vida passará a beneficiar também a classe média.” 

Na noite anterior, durante um jantar com parlamentares na residência oficial do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), Lula justificou a queda de popularidade ao dizer que o governo tem boas ações, mas ainda não encontrou uma “narrativa” que sensibilize um público mais amplo.

Lula esquece promessas de campanha

Durante o evento desta quinta-feira, o presidente não mencionou as promessas de campanha não cumpridas. A picanha, símbolo da promessa de reduzir a inflação dos alimentos, foi destaque no palanque e na propaganda. No entanto, dados do IBGE indicam que a carne subiu 20,8% em 2024.

Lula também havia prometido, ainda em 2022, reformular o sistema penitenciário, “separando presos por grau de periculosidade”, com trabalho e educação para ressocialização, e que criaria universidades de segurança pública para qualificação dos profissionais da área. Nenhuma das iniciativas avançou. 

A regulamentação do trabalho de motoristas e entregadores de aplicativo também segue sem previsão de implantação, apesar de um projeto ter sido enviado ao Congresso.

Veja as promessas ainda não cumpridas de Lula:

  • Picanha barata: Apesar da promessa de campanha de reduzir o preço da carne, o valor subiu 20,8% em 2024, segundo o IPCA;
  • Segurança pública: A criação de um Ministério da Segurança Pública, para melhorar, entre outros pontos, a formação de policiais militares, e a reorganização do sistema penitenciário não avançaram;
  • Autoridade climática: A proposta de criar um órgão voltado à formulação de políticas ambientais está parada na Casa Civil;
  • Demarcações indígenas: Lula prometeu demarcar 14 territórios nos 100 primeiros dias. Apenas 13 foram demarcados;
  • Motoristas de aplicativo: O projeto de regulamentação foi enviado ao Congresso, mas enfrentou resistência da categoria e segue sem previsão de entrega.



Via Revista Oeste

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