A direção nacional do PT aprovou uma nova resolução para as eleições gerais deste ano que coloca o senador e pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), como principal alvo da legenda. O documento afirma que a possível candidatura do parlamentar representa uma ameaça e associa o avanço da direita a interesses financeiros e políticos no Congresso.
O texto foi aprovado em meio às mais recentes pesquisas de intenção de voto que apontam empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Isso fez aumentar a pressão dentro do partido por uma postura mais ofensiva contra adversários da oposição.
“A candidatura de Flávio Bolsonaro representa a continuidade do mesmo projeto autoritário e antipopular que o Brasil derrotou nas urnas. […] Sua candidatura simboliza apenas a tentativa da extrema direita de manter vivo um projeto político baseado no ataque à democracia”, afirmou o partido no documento divulgado nesta segunda (16) (veja na íntegra).
O PT também aponta que a eleição de 2026 dependerá não apenas da vitória presidencial, mas da formação de uma base sólida no Congresso Nacional. Esse é um dos principais problemas que o atual governo enfrenta no parlamento, e que leva a negociações que acabam, por vezes, custando a popularidade de Lula.
“Eleger bancadas comprometidas com o povo brasileiro é condição fundamental para assegurar governabilidade, enfrentar o poder do rentismo e da extrema direita no Parlamento e aprofundar as transformações que o país necessita, ampliando direitos, fortalecendo políticas públicas e consolidando um projeto nacional de desenvolvimento com justiça social”, pontua a nota.
Outro ponto central da resolução envolve o caso do Banco Master, citado como exemplo de relação entre poder político e interesses financeiros. O PT questiona a atuação do Banco Central na época em que a instituição era presidida por Roberto Campos Neto, desafeto declarado de Lula.
“Por que o Banco Central, então sob a gestão de Roberto Campos Neto, indicado por Bolsonaro, não tomou as medidas necessárias para intervir e proteger o sistema financeiro e os recursos públicos?”, questiona o texto aprovado pela direção petista.
A resolução afirma ainda que a expansão do banco teria conexões políticas com setores da direita e aliados da família Bolsonaro. Para o partido, o caso revelaria um sistema de proteção a privilégios dentro da política nacional.
“Esses elementos revelam que não se trata de um episódio isolado, mas de um sistema de relações promíscuas entre operadores políticos, interesses financeiros e setores do Estado que protege privilégios de poucos em detrimento do interesse nacional”, afirma o partido.
O PT também critica a influência do mercado financeiro sobre o Congresso, frequentemente associado ao termo político “Faria Lima”. Segundo o PT, esse grupo teria força para pressionar parlamentares e dificultar mudanças econômicas defendidas pelo governo.
“É fundamental estabelecer limites ao poder do rentismo, fortalecer a renda do trabalho e dinamizar o mercado interno, além de assegurar a redução da taxa Selic pelo Banco Central”, diz o texto.
A resolução conclui que a eleição de uma maioria alinhada ao projeto petista na Câmara e no Senado é vista como essencial para garantir governabilidade em um eventual novo mandato. Para a legenda, mudar a composição do Congresso é condição decisiva para aprofundar políticas defendidas pelo governo.