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Mercado livre de energia avança e promete reduzir conta de luz

Mercado livre de energia avança e promete reduzir conta de luz

A expansão do mercado livre de energia no Brasil segue em ritmo acelerado. Dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) mostram que 21,7 mil novos consumidores migraram para o Ambiente de Contratação Livre (ACL) em 2025, elevando o total para 85,4 mil unidades consumidoras — em sua maioria grandes consumidores industriais e comerciais — responsáveis por cerca de 43% da eletricidade consumida no país.

Diferente do modelo tradicional, em que o consumidor é obrigado a comprar da concessionária que atende sua região, o mercado livre permite adquirir energia elétrica diretamente de geradoras ou comercializadoras, o que pode reduzir a conta de luz.

O crescimento de unidades consumidoras nesse modelo entre 2024 e o ano passado foi de 32,5%, puxado principalmente pelos pequenos consumidores, com carga menor ou igual a 0,5 megawatt (MW). Essa categoria de tamanho de carga respondeu por 93% das migrações em 2025. E a tendência é de que a migração continue avançando fortemente nos próximos anos.

Com a lei nº 15.269, sancionada em novembro do ano passado, mais consumidores poderão migrar para o mercado livre de energia. A estimativa é de que 92 milhões de consumidores brasileiros sejam beneficiados. Isso porque a lei passou a incluir unidades de baixa tensão — até então somente consumidores de alta tensão conseguiam fazer a migração.

Pela nova regra, a abertura será gradual:

  • Indústrias e comércios de baixa tensão: até novembro de 2027
  • Consumidores residenciais: até novembro de 2028

Esse novo marco regulatório promete democratizar o acesso ao mercado livre. O consumidor agora tem o poder de escolher de quem contrata a energia, o tipo de fonte, o prazo de contrato e outras condições. Isso muda a relação das pessoas e empresas com a energia, antes amarradas ao mercado regulado.

“A abertura do mercado livre de energia para todos os consumidores representa um marco histórico no setor elétrico brasileiro, agora alinhado com os mais modernos mercados de energia do mundo”, resume o CEO da Electra Comercializadora, Franklin Miguel. “Isso também vai se traduzir em mais eficiência para o setor elétrico e para toda a economia”, complementa.

Mercado livre de energia pode reduzir conta de luz

Além do poder de escolha, o principal argumento favorável à migração ao mercado livre de energia é a redução da conta de luz. Um estudo da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel) projeta uma economia total anual de R$ 17,8 bilhões nas contas dos consumidores do Grupo B (pequenos comércios, indústrias e residências). 

O setor entende que essa redução da conta de luz virá com a competição entre empresas comercializadoras. Hoje, são 504 comercializadoras cadastradas na CCEE oferecendo produtos e serviços de energia no Brasil. A estimativa da consultoria Volt Robotics é de que essa competição poderá significar 26,5% de redução da conta de luz.

Para chegar lá, as comercializadoras precisarão de novos clientes, e aí entra um novo desafio: atrair novos consumidores para o mercado livre. Para o CEO da Electra Comercializadora, isso passará por um extenso trabalho de comunicação, assim como o que ocorreu com outros setores, como portabilidade de telefonia celular, medicamentos genéricos e lançamento do Pix.

“Cuidados com a jornada do cliente também são essenciais nesse processo, com melhorias, integração e desenvolvimento de sistemas de gestão e vendas. Afinal, uma boa jornada do cliente será indispensável para que não haja frustração na relação dos consumidores e sua nova operadora de energia”, acrescenta Miguel.

A comunicação também será fundamental para chegar a regiões onde o mercado livre de energia ainda não chegou com força. Segundo a CCEE, o maior número de unidades consumidoras desse mercado está nas regiões Sul e Sudeste. São Paulo, por exemplo, respondeu por 28% de todas as migrações no ano passado. Paraná e Minas Gerais também se destacam.

“Com a abertura do mercado inclusive para pequenos consumidores residenciais, a estratégia de comunicação é fundamental para que os usuários do restante do país conheçam o mercado e possam se beneficiar das vantagens do acesso à energia livre”, finaliza o CEO da Electra Comercializadora.

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