O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (6) a abertura a abertura de um inquérito policial para investigar a origem “vazamentos indevidos” do compartilhamento e da custódia de dados obtidos por meio de quebras de sigilo em investigações envolvendo Daniel Bueno Vorcaro.
A decisão atende a um pedido da defesa do empresário que criticou o vazamento de mensagens recuperadas pela Polícia Federal de seus telefones celulares divulgadas em diversas apurações de imprensa, citando conversas e encontros com políticos, ministros do STF e autoridades da República.
Na decisão, o magistrado esclarece que as informações encaminhadas à comissão parlamentar têm origem nos próprios poderes investigatórios do Legislativo, preservando a independência entre o inquérito conduzido pela comissão e as apurações realizadas pela Polícia Federal.
O relator também destacou que a divulgação de mensagens privadas pode violar garantias fundamentais e comprometer a cadeia de custódia das provas digitais. Por isso, determinou a abertura de investigação para identificar a origem dos vazamentos e eventuais responsáveis pela quebra indevida de sigilo.
Investigação deve preservar sigilo da fonte
Na decisão, o magistrado ressaltou ainda que a apuração não deve atingir profissionais da imprensa. O texto afirma que o sigilo da fonte jornalística deve ser preservado, conforme prevê a Constituição.
A orientação é para que a investigação se concentre nos agentes públicos ou particulares que tinham dever legal de guarda do material sigiloso, e não nos jornalistas que divulgaram as informações.
Segundo o relator, a medida busca garantir simultaneamente a proteção da intimidade do investigado, a integridade das provas e a liberdade de imprensa.