Não é de hoje que eu namoro o Rio de Janeiro. Entre idas e vindas na ponte aérea, a Cidade Maravilhosa sempre me recebe de braços abertos, igual o Cristo Redentor, e me proporciona ótimas experiências combinadas a uma gastronomia interessante.
Além das praias mundialmente cobiçadas – Ipanema e Copacabana que nos diga -, entram nesse pacote atividades não tão óbvias, que são boas pedidas para o megaferiado que a cidade curtirá durante seis dias, de 18 a 23 de abril, indo da Sexta-Feira Santa ao Dia de São Jorge.
A boa notícia é que o Rio tem de tudo um pouco. Seja para aproveitar o sol na areia, para apreciar instituições culturais (vá ao Museu do Amanhã, ao MAM e à Casa Roberto Marinho!) ou ainda para comer e beber muito bem, a sugestão é combinar essa deliciosa mescla com novos roteiros, bairros e programas especiais.
Se tiver uma viagem marcada para o Rio no período ou for um carioca da gema, as dicas a seguir podem ser aproveitadas durante o feriadão e dão uma dimensão maior da capital. Já se pretende escapar da cidade grande, não deixe de conferir dicas sobre o litoral do estado, ou ainda de conhecer destinos no Vale do Café e na Serra. Bom proveito!
Rio visto de cima
O Pão de Açúcar é passeio obrigatório a todos que visitam a cidade pela primeira vez. Entra no cardápio a subida ao Cristo, que foi o atrativo brasileiro mais buscado no exterior em 2024, com mais de 175 mil pesquisas, segundo o relatório Tendências do Turismo 2025, da Embratur e do Ministério do Turismo.
Outra maneira de apreciar a cidade de cima é no pico do Morro Dois Irmãos. Aqui, nada de bondinho: a especialidade é a trilha. A aventura começa na base do Vidigal, onde um mototáxi nos leva até a entrada do percurso. Sempre opte por um guia local, que nos acompanha por uma caminhada de cerca de 1,5 km em meio à natureza.
Em uma das paradas, conseguimos ter uma visão privilegiada de São Conrado, e, mais adiante, podemos ver toda a Rocinha até a Pedra da Gávea. Lá no pico, somos recompensados com paisagens do Cristo, do Jockey, da Lagoa e das praias da Zona Sul. Mas a aventura não para por aí: para os mais corajosos, o rapel também é uma opção.
Por falar em vistas privilegiadas, certos restaurantes cariocas capricham nos visuais. É o caso do Aprazível, no alto de Santa Teresa, com paisagem que enquadra para a Baía de Guanabara. Ali, a chef Ana Castilho nos serve uma mistura de influências mineiras com outras brasilidades e os drinques com cachaça destacam-se na carta.
Outro que chama a atenção é o asiático Xian, com vista para a Marina da Glória e vizinho ao Santos Dumont, sendo uma mão na roda pra quem está de pit stop na cidade.
Rotas fora do eixo

Ultimamente, o Rio tem se destacado com rotas dentro da própria cidade que exaltam maravilhas que estavam, muitas vezes, “escondidas” para aos olhos de visitantes e até dos próprios moradores. Uma das iniciativas mais recentes é a Rota do Samba, um projeto com roteiros temáticos que reúne locais marcados pela força do samba, tudo isso com a ajuda de ferramentas interativas.
Um roteiro sugerido é pelo bairro Oswaldo Cruz, que passa por 10 pontos ligados à gênese do samba. A Casa Candeia, a Feira das Yabás, a Quadra da Portela, o Bar do Seu Nozinho, a Casa da Tia Doca e o Circo São Jorge são locais no caminho.
Honrando o título de Cidade Criativa da UNESCO pela literatura, a dica é apostar ainda nas rotas Rio Literário e Machado de Assis, que destacam endereços que foram – e ainda são – importantes para o espírito literário da cidade.
No centro, a Pequena África é mais uma área que vem chamando atenção. Na zona portuária, a região é formada pelos bairros Saúde, Gamboa e Santo Cristo, ocupados por uma população majoritariamente negra. Por ali, o Cais do Valongo é um Patrimônio da Humanidade. Já foi ponto de desembarque e comércio de escravizados e hoje, sem esquecer do passado, reúne bares e restaurantes.
Destaque também para a Pedra do Sal, um dos berços do samba e fonte de cultura afro-brasileira. Hoje, o local ganha bastante agito à noite, com rodas de samba recorrentes, e nas redondezas são vendidos quitutes como acarajé e vatapá. Há ainda o Largo da Prainha, ponto de encontro certo entre antenados na cena carioca, e vale visitar o Museu da História e da Cultura Afro-brasileira, com acervo variado que dialoga com o território da Pequena África.
E por que não uma subida a Santa Teresa? O tradicional bairro ganha charme com ruas de paralelepípedo e casarões históricos. A boemia ganha os copos e há mirantes com vistas privilegiadas, caso do Mirante do Rato Molhado, pertinho do Largo dos Guimarães, ponto central da região.
Ah, e andar de bondinho também é uma delícia de passeio. Para a nossa sorte, a linha do centro a Santa Teresa resistiu ao tempo e o veículo amarelo passa pelos principais pontos do bairro, entrando no nosso imaginário coletivo.
Praias e belezas naturais

Vamos aos fatos: Ipanema e Copacabana são ícones cariocas inquestionáveis. Leblon, Arpoador, Flamengo e Botafogo, além da Barra, também entram na lista dos queridinhos.
Mas o Rio vai além e surpreende com escolhas não tão óbvias. Que tal sair da Zona Sul e conhecer praias que esbanjam beleza na Zona Oeste? Entre os exemplos surge a Praia de Grumari, dentro de uma área de proteção ambiental, sendo popular tanto para surfistas quanto para quem deseja sossego.
Também nesta região fica a Prainha. O nome entrega que o local é pitoresco, com a montanha, a areia e o mar dividindo espaço, atraindo desde surfistas até famílias. Outro nome é a Praia da Reserva, que se alonga por alguns quilômetros sem grandes prédios na paisagem: restam a água e a tranquilidade.
Para além das faixas de areia, um passeios de barco é opção para conhecer a Cidade Maravilhosa de outro ângulo. Os mais comuns rodam a Baía de Guanabara e podem ser feitos a bordo de escuna, lancha, veleiro ou catamarã.
Há saídas de manhã e no pôr do sol, em que a Marina da Glória é ponto popular de partida. Não importa se for um momento privado ou compartilhado: esta é daquelas atividades em que o álbum de fotos volta lotado de novos cliques!
Comer bem…
No Rio, botequins tradicionais e restaurantes estrelados convivem lado a lado. E nada melhor do que começar o dia com um café da manhã caprichado. A refeição pode ser curtida, por exemplo, no Café 18 do Forte, dentro do Forte de Copacabana; na The Slow Bakery, uma das mais festejadas do Rio; ou no Arp Bar, no térreo do hotel Arpoador, logo em frente à praia de mesmo nome. Confira mais dicas nesta matéria.
Para o almoço, o Ocyá nos leva a um lado diferente do Rio. Situado na Ilha Primeira, a casa do chef Gerônimo Athuel só é acessada de barco e cai bem para um almoço regado a frutos do mar e peixes, que são as estrelas do menu. Uma unidade no continente foi aberta em pleno Leblon em 2023.
Por falar em matérias-primas que saem do mar, o Satyricon tem tradição em ser um dos melhores endereços do Rio. Os peixes saem das águas da Baía de Guanabara e chegam diariamente à casa em Ipanema com todo o frescor que desejamos. Pense em nomes como robalo, linguado, lagosta, cavaquinha, lagostim e camarão: todos estão na casa.

Se a ideia for um boteco, opções não faltam, inclusive chefs renomados têm apostado em casas descontraídas – e deliciosas – como é o caso do Tijolada, de Thomas Troisgros, que tem “televisão de cachorro”, estufa com empanadas e empadinhas e um bolovo dos deuses, em Ipanema. Já o chef Elia Schramm abriu recentemente o Jurubeba, em Botafogo, com um menu que não foge da raiz, sem firulas, e cheio de refogados e chopp Brahma bem tirado. Rafa Gomes está à frente do Tim Tim, na badalada Dias Ferreira, no Leblon, e Bruno Katz comanda, desde 2022, o ótimo Chanchada, em Botafogo. Além, é claro, das casas comandadas por Pedro Artagão: Boteco Rainha, Princesa e Irajá Redux.
O cair da noite exige diferentes ocasiões. Pode ser um bom momento para uma cozinha ousada, como a italiana do Sult, em Botafogo, ou para um japonês que merece ser degustado sem pressa, como o caso do Haru Sushi, em Copacabana, e ainda o menu degustação sem amarras no Oseille, em Ipanema.
Se for do seu apetite um endereço badalado para ver e ser visto, o nome é o Elena, que tem atraído as atenções no Horto – a comida de inspiração asiática, a extensa carta de vinhos e de saquês e o ambiente descolado geram mesas disputadas.
Para ajudar a escolher o roteiro gastronômico, sempre dou uma espiada no Guia Michelin e na ranking do Latin America’s 50 Best Restaurants, que exaltam endereços interessantes da cidade.
…E beber também
O Rio também nos fisga pelos copos, já que possui desde botecos onde a cerveja gelada impera até bares de alta coquetelaria.
Jobi, Galeto Sat’s e Bar do Momo são tradicionais na botecagem carioca, mas nomes como Nosso, Quartinho e Liz Cocktails & Co andam fazendo barulho na coquetelaria.
Malas prontas para curtir a Cidade Maravilhosa?
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