Teresina - Piauí sábado, 07 de março 24°C
Destaque / Deus Conosco

Maria Tereza Maia

Mãe!… Elas são instrumentos usados por Deus para nos gerar,  nos dar a vida, nos criar , nos proteger, ensinar tudo que sabem e nos mostrar caminhos para muito mais aprendizado.

E quando partem, ficam em nós. Deixam sua vida para a eternidade, nas nossas vidas.

Nossa coluna hoje traz o texto impecável de Rosa Melo, na íntegra, como um abraço afetuoso a todos os filhos e filhas, familiares e amigos de Maria Tereza, que partiu recentemente ao encontro do Pai Eterno.

” MARIA TEREZA (Val, Moreira, Melo, Maia) só se escreve com letras maiúsculas, garrafais, acesas, vibrantes, não pela exposição da sua vida, mas pela determinação dos seus atos! Nunca subiu em palcos ou altares para fazer-se gigante. Era introspectiva, calada, e no pedal de uma máquina de costura, sentada na sua cadeira tecendo crochê, ou no pé do fogão a lenha, era onde ela determinava a vida, pilotava o destino e impunha seus propósitos.
Filha de um homem forte e impositivo, e de uma mulher frágil e calada, mas atenta, aprendeu cedo a importância do trabalho e da família – suas maiores honras!
Seu pai – Cristóvão Melo – era da região de Picos/Bocaina, e como funcionário público do IBGE chegou a Buriti dos Lopes – Pi onde constituiu família ao lado de Izabel Moreira Val. Lá ele também atuava como rábula em defesa dos necessitados, e como professor particular, recebendo os alunos na sua residência. Foi assim que MARIA TEREZA cresceu amante dos livros e da justiça social. Ao tempo que aprendia a arte da alfaiataria com sua avó Rosa, dominava a língua escrita e falada, contanto que não a fizessem se manifestar em público. Quando estava cursando o terceiro ano do primário, seu pai a tirou da escola por observar que ela estava adiantada em relação à professora. Sua menina já estava preparada!
O Velho Cristóvão foi removido de Buriti para Pio IX – Pi, por se manifestar ativamente na política da época, sendo interpretado como comunista pelo contexto da era Vargas. Foi então em 1948 que a MARIA TEREZA conheceu o Francisco de Alencar Maia, e aos 17 anos iniciou sua jornada como dona de casa, mãe, esposa, educadora, costureira… Foi “largada” no Mundo Novo que a aguardava, para desempenhar nos anos de 1950 um papel complexo dentro de uma sociedade tradicionalista, cheia de preconceitos.
A MARIA, embora tenha seguido o sonho reservado às mulheres da época, de formar uma família estruturada e feliz, não se realizava tão somente em ser esposa e mãe. Queria estudar, aprender intelectualmente, se formar! E quando em 1960 fundaram o Ginásio Francisco Suassuna de Melo, ela não encontrou obstáculos capazes de dissuadi-la do seu desejo. Já com sete ou oito dos seus filhos nascidos, conseguiu a proeza de ser a primeira da turma, competindo o lugar de destaque com um homem 20 anos mais novo, seu caro colega Bené Bezerra. Ali terminou com êxito seu ensino ginasiano, na primeira turma de graduados, no ano de 1964.
É difícil com a fragilidade da mentalidade das novas gerações compreenderem o tempo de uma mulher que embalada pelas prendas domésticas ajuda o marido a completar a renda da casa, modelando roupas impecáveis, ao tempo que mantém seus 11 rebentos alimentados, educados, vestidos e penteados como os meninos de revista! E os alfabetiza, e os prepara para concursos, enquanto tece colchas e mais colchas de crochê pra seus filhos e infinitos netos, tudo isso sem abrir mão de uma boa e eclética leitura.
Mas Ela queria mais… sempre mais! Foi trabalhar fora de casa, como secretária da Unidade Escolar Professor Balduíno (Grupo Novo), do ano de 1979 a 1996 aproximadamente, onde por ausência de suas gestoras, exerceu na prática o papel de diretora por anos e anos. Não se importava por não ser nomeada ou remunerada como tal. Seu compromisso era com a educação e a economia dos recursos públicos. Detestava qualquer tipo de desperdício, e zelava pelo ideal da boa educação para todos. Por isso não relutou em deixar seus caçulas com os mais velhos, para no período de férias deslocar-se até Campo Maior – Pi e cursar o magistério, se formando professora no ano de 1982.
Queria SER mais nesse mundo… Passou a atuar no grupo da Igreja Católica, orientada pela Teologia da Libertação. Era a MARIA TEREZA política chamada pelo verdadeiro Evangelho de Jesus Cristo. A Igreja para a MARIA é aquela que ensina e pratica os ensinamentos de Jesus como alguém que desafiou as estruturas sociais e políticas de sua época, pregando uma mensagem de amor, igualdade e transformação social.
E foi até o fim, a que dava ordens, nunca a que obedecia. Decretava diante das nossas fraquezas que até os oitenta anos não havia sequer percebido a velhice chegando. Tanto que os netos e os bisnetos nunca viram nela dificuldades em compreender e aceitar, maneiras diferentes de se viver ou fazer escolhas. Sempre aceitou comportamentos e atitudes contrárias das novas gerações, não tendo dificuldade em respeitar as pessoas que desejam fazer escolhas e viver de maneira diferenciada. Para a vovó o que bastava era ser honesto e respeitar os direitos e a dignidade dos outros, agindo com responsabilidade e autonomia.
Se um dia eu nascer de novo, quero ser MARIA…
Rosilandia Melo de Alencar Maia ( Sua Rosa filha – nome em homenagem a sua Mãe Rosa)!”

 

 

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será publicado. Campos obrigatórios estão marcados.