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Lula defende ‘financiamento sustentável’ do Brics

Durante a décima reunião anual do conselho do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), o Banco do Brics, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, propôs a criação do que chamou de “um modelo de financiamento voltado ao desenvolvimento sustentável”. De acordo com o petista, o objetivo será superar as exigências de austeridade impostas pelo mercado financeiro internacional. O evento ocorreu nesta sexta-feira, 4, no Rio de Janeiro.

Lula afirmou que as políticas de austeridade não trouxeram resultados positivos em nenhum país. Segundo ele, essas medidas ampliaram desigualdades sociais. Aproveitou, nesse sentido, para promover a luta de classes, que passou a ser o mote informal de seu governo.

“Toda vez que se fala austeridade, o pobre fica mais pobre”, afirmou Lula, sem apresentar dados que ajudassem a comprovar tal fala. “E o rico fica mais rico.”

Lula defende moeda alternativa ao dólar

De acordo com a AGU, 'a notícia falsa prejudicou ações do governo para conter o preço do dólar', em disparada nos últimos dias | Foto: Reprodução/Freepik
Notas de dólar, moeda que Lula quer fora das negociações entre os países-membros do Brics | Foto: Reprodução/Freepik

O presidente brasileiro também declarou que é necessário adotar novas abordagens para o financiamento internacional neste século. Destacou, assim, o papel do Banco do Brics na valorização das moedas locais entre os países do bloco. Ou seja, defendeu a busca por alternativas ao uso do dólar norte-americano na política de financiamento internacional.

Lula enfatizou a importância do debate sobre a criação de uma moeda alternativa para o comércio entre os membros do Brics e apontou desafios políticos nesse processo. Pediu ajuda nesse sentido à presidente do Banco do Brics, Dilma Rousseff.

“Pesa sobre seus ombros a tarefa, como presidenta do NDB, tentar contribuir com os outros bancos”, disse o petista. “Criar uma nova fórmula, para a gente apresentar para o mundo que um novo mundo é possível, uma outra política de financiamento é possível.”

Além de Lula e Dilma, a reunião do conselho do Banco do Brics contou com a presença do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. O homem forte das políticas econômicas do governo Lula avaliou o evento como uma oportunidade para celebrar conquistas e refletir sobre o futuro da instituição financeira.

Impactos dos projetos do Banco do Brics

O ministro da Fazenda do Brasil na gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, Fernando Haddad
O ministro da Fazenda do Brasil, Fernando Haddad, em sessão de comissão da Câmara dos Deputados. No RJ, ele participou de evento do conselho do Banco do Brics | Foto: Diogo Zacarias/MF

Haddad apresentou um balanço dos dez anos da instituição, informando que foram aprovados 120 projetos, totalizando US$ 39 bilhões em financiamentos. O ministro destacou que os recursos permitiram construir ou modernizar mais de 40 mil quilômetros de rodovias, ampliar a oferta de água potável em cerca de 250 mil metros cúbicos por dia, implantar 293 quilômetros de trilhos urbanos e construir 35 mil moradias.

“A última década demonstrou que esse modelo de desenvolvimento não apenas é financeiramente viável, como também se traduz em impactos concretos e sustentáveis”, disse o ministro da Fazenda do Brasil. “Vale sempre lembrar que esses dados representam mais do que execução orçamentária e boa governança. Traduzem escolas mais acessíveis, comunidades mais conectadas, famílias com acesso à água limpa, cidadãos vivendo com mais dignidade.”

O encontro reuniu ainda membros do conselho do NDB, representantes empresariais e integrantes da sociedade civil. O evento antecede a reunião da Cúpula do Brics, que ocorrerá neste fim de semana no Rio de Janeiro. O evento não terá as presenças do presidente da Rússia, Vladimir Putin, e da China, Xi Jinping.

Via Revista Oeste

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