O médico-legista Ida Bagus Alit divulgou nesta sexta-feira, 27, o laudo forense da publicitária Juliana Marins. Segundo o documento, a brasileira morreu em consequência de fraturas múltiplas no tórax, na coluna, nas pernas e nos ombros. Ela caiu mais de 500 metros no Monte Rinjani, na Indonésia.
“Essas fraturas ósseas causaram danos a órgãos internos e sangramento”, disse o legista. “A vítima sofreu ferimentos devido à violência e a fraturas em diversas partes do corpo. A principal causa de morte foram ferimentos na caixa torácica e nas costas.”
Alit descartou a hipótese de hipotermia. Ele explica que o corpo não tinha lesões compatíveis com esse tipo de morte, como danos nas extremidades.
A equipe médica estima que Juliana tenha morrido cerca de 20 minutos depois de despencar de uma encosta íngreme. O crânio sofreu ferimento visível. No entanto, o exame não encontrou sinais de hérnia cerebral, comum em casos de morte prolongada depois de um trauma. A ausência de retração nos órgãos reforçou a conclusão de morte rápida.
Por falta de especialistas na região de Lombok, onde fica o Monte Rinjani, autoridades locais transferiram o corpo para Bali, onde o Hospital Bali Mandara concluiu a autópsia. A distância entre os locais dificultou a definição exata do horário da morte.
Governo federal banca traslado do corpo de Juliana
Equipes de busca só iniciaram as operações três dias depois do acidente. Juliana caiu ao percorrer uma trilha no dia 20, mas o corpo foi encontrado apenas em 24 de junho, a 500 metros do topo da montanha. O resgate só ocorreu no dia seguinte, em um ponto ainda mais profundo, a 600 metros.
Imagens de drone mostraram Juliana imóvel, sem água, comida nem agasalho, em uma área de difícil acesso. A família acusa o sistema de resgate da Indonésia de negligência e falta de estrutura.
O pai de Juliana, Manoel Marins, está em Bali para acompanhar o traslado do corpo ao Brasil. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ordenou que o Ministério das Relações Exteriores assumisse os custos, estimados em R$ 250 mil. Inicialmente, o Itamaraty alegou impedimento legal, mas Lula revogou a restrição.
Antes da decisão presidencial, o prefeito de Niterói (RJ), Rodrigo Neves (PDT), e o jogador Alexandre Pato já haviam se oferecido para financiar a repatriação. Juliana fazia um mochilão pela Ásia desde fevereiro e documentava a viagem em redes sociais.