O Ministério Público (MP) iniciou uma investigação para apurar se a coloração esverdeada na água da represa do Rio Grande, em Guaraci (SP), é resultado de descarte irregular de esgoto. A promotoria e a prefeitura discutiram o caso em uma reunião nesta segunda-feira, 22.
Moradores relataram que o problema começou em março deste ano. Um deles gravou um vídeo que mostra o lançamento de esgoto bruto em um córrego que deságua na represa. O morador enviou as imagens à promotora de Justiça de Olímpia (SP), Aline Kleer Fernandes.
Multa da Cetesb e compromisso da prefeitura
A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) multou o município de Guaraci depois de constatar uma falha em uma das estações elevatórias. O problema causou o lançamento de resíduos não tratados na represa.

Em entrevista à TV TEM, a promotora de Justiça afirmou que o município se comprometeu a construir uma nova estação para realizar o descarte de resíduos de forma ecologicamente correta.
“A prefeitura vai construir uma nova estação, aparentemente ao longo de um ano”, explicou Aline. “Duas fases já receberam autorização para construir. O MP vai manter o acompanhamento de perto e verificar se novas emissões de esgoto bruto vão ocorrer.”
Declarações do prefeito sobre a coloração da água
Durante a reunião, o prefeito de Guaraci, Renato Azeda de Aguiar, contestou as acusações e afirmou que não há laudo que comprove a contaminação. “Não foi comprovado nada que houve o lançamento de esgoto que causou o problema do rio estar verde ou mau cheiro”, disse. “Isso está acontecendo por conta do excesso de águas.”
Proprietários de imóveis que dependem de aluguéis dos ranchos já sentem a queda na procura. A coloração verde da água também prejudica a pesca local, ao forçar pescadores a buscar novas áreas para trabalhar.
A água verde e o forte odor também são problemas em afluentes do Rio Tietê em cidades como Sales, Adolfo, Mendonça, Novo Horizonte e Penápolis (SP).
A proliferação desenfreada de algas transformou um trecho do Rio Tietê em um “tapete verde”. A situação da água preocupa moradores e pescadores, que dependem do rio para sua subsistência.
Recomendações da Cetesb sobre coloração da água
Em entrevista à TV TEM, Orivaldo João Borin, especialista em Direito Ambiental, disse que procurou a promotoria ao perceber a gravidade da situação.
“A Cetesb demorou muito para tomar uma atitude efetiva”, se queixou Borin. “Preocupados em perder essas análises, contratamos três empresas para fazer uma vistoria particular, e duas já entregaram laudos que constataram anormalidades nas águas da represa.”
Em nota, a Cetesb recomendou que as pessoas evitem nadar ou praticar esportes náuticos nas áreas com “natas” esverdeadas ou manchas de coloração suspeita.
Conforme especialistas, o fenômeno ocorre em razão da proliferação de algas que se alimentam de matéria orgânica. Além disso, a mudança pode vir da presença de esgoto doméstico e resíduos de fertilizantes das lavouras.
A Cetesb afirmou que o excesso de nutrientes nas águas causa a multiplicação de microalgas e o esverdeamento da água.