A ofensiva dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciada no fim de fevereiro, gerou uma onde de instabilidade global. No Brasil, o conflito reflete na disparada do petróleo, alta do dólar e ameaça à produção agrícola, afetando desde as contas do governo até o preço no supermercado.
Por que o preço do petróleo subiu tanto com esse conflito?
O aumento de 22,9% no preço do barril ocorreu pelo medo de interrupções no Estreito de Ormuz. Essa pequena passagem marítima é vital para o mundo, pois por ela passa 20% de todo o petróleo e 25% do gás natural consumidos no planeta. Qualquer tensão ali faz o mercado financeiro entrar em alerta, elevando os preços preventivamente devido aos riscos logísticos e de segurança.
Quem são os principais ganhadores com essa situação no Brasil?
O governo federal e as empresas petroleiras, como a Petrobras, saem ganhando no curto prazo. Com o petróleo mais caro, a arrecadação de impostos e royalties (valor pago pela extração) aumenta. Estima-se que cada alta de 10 dólares no barril possa injetar bilhões de reais nos cofres públicos, além de melhorar o saldo da nossa balança comercial, já que o Brasil é um grande exportador de óleo bruto.
Quais setores da economia brasileira mais perdem com a guerra?
O setor aéreo e o de transportes são os primeiros atingidos. O combustível de aviação já ficou mais caro e voos foram cancelados. Além disso, motoristas de aplicativo e transportadores sofrem com a demora no repasse de preços, o que reduz seus lucros. No mercado financeiro, os investidores tendem a retirar dinheiro de países como o Brasil para buscar investimentos mais seguros em tempos de incerteza global.
Como a produção de alimentos pode ser afetada?
O Brasil depende muito de fertilizantes importados, e o Oriente Médio é o nosso grande fornecedor. Cerca de 35% da ureia que usamos vem de lá. Com a guerra, o transporte desses insumos fica difícil e caro. Se o custo para o agricultor sobe, o preço dos alimentos no supermercado também acaba aumentando. Além disso, o Irã é um dos maiores compradores do milho brasileiro, e essa demanda pode cair.
O que o Banco Central deve fazer em relação aos juros?
A alta dos combustíveis e do dólar gera inflação. Antes do conflito, esperava-se um corte maior na taxa de juros (Selic). Agora, o Banco Central enfrenta um dilema: se os preços subirem muito por causa do petróleo, ele pode ser forçado a manter os juros altos ou fazer cortes menores para tentar segurar a inflação, o que acaba esfriando o crescimento da economia nacional.