O manifestante Uday Nasser Saadi al-Rubai, de 22 anos, ousou desafiar o regime do Hamas em Gaza. Protestou contra o grupo terrorista. A resposta foi brutal: sequestro, tortura implacável durante quatro horas e execução sumária. Seu corpo foi deixado como um aviso macabro à porta de sua família. A isso, se seguiu o silêncio dos manifestantes pró-Hamas nos Estados Unidos (EUA).
Nada de manifestações com bandeiras, como fizeram contra a política de autodefesa de Israel, em agosto de 2024, durante os conflitos em Gaza. Eles frequentemente se manifestam em nome da liberdade, menos em relação àqueles que ousam discordar das práticas atrozes do Hamas em Gaza.
Mazen Shat, um alto oficial da polícia do Fatah, grupo rival do Hamas, denunciou o assassinato. Uday, no último sábado 29, foi sequestrado e morto por quase 30 membros das Brigadas Al-Qassam, o braço armado do Hamas.
O corpo dele foi levado até a frente da casa de sua família neste sábado, 29.
“Uday foi martirizado pelos criminosos do Hamas”, disse Shat ao jornal The Telegraph. “E qual é o crime dele? Ele disse a verdade, porque se recusou a ficar em silêncio sobre a injustiça, porque não se ajoelhou diante do Hamas.”
Na sequência, o oficial revela algo que tem vindo cada vez mais à tona, com a perda de popularidade, segundo o Centro Palestino de Estudos e Pesquisa Política, do grupo em Gaza.
“O Hamas está oprimindo as pessoas de forma brutal”, garante o oficial palestino.”
Para Karina Calandrin, especialista em Relações Internacionais e colaboradora do Instituto Brasil-Israel há indícios de que parte da população de Gaza está mais inclinada a apoiar propostas de reconstrução e desenvolvimento econômico.
“Especialmente se estas propostas vierem acompanhadas de autonomia e segurança”, afirma ela a Oeste. “A ideia de transformar Gaza em uma área próspera, com apoio internacional e integração regional, desperta interesse e esperança, sobretudo entre os mais jovens e as famílias que perderam tudo. Essa visão contrasta fortemente com o ciclo contínuo de conflito promovido pelo Hamas.”
O Fatah é um grupo palestino que controlava Gaza até perdê-la para o Hamas durante uma guerra em 2007. Controla a Cisjordânia, com Mahmoud Abbas ainda se mantendo presidente.
O protesto do qual Uday participou foi o maior desde que o Hamas assumiu o poder, de acordo com Sam Habeeb, um antigo morador de Gaza que agora vive em Londres.
“As pessoas estão sob bombardeio israelense desde outubro de 2023 — elas não querem que a guerra continue de jeito nenhum”, ele disse. “O Hamas deve aceitar o fato de que a maioria das pessoas de Gaza quer o fim desta guerra, e certamente elas têm o direito de expressar suas opiniões livremente.”
Ele prossegue seu desabafo, indignado.
“A repressão violenta a manifestantes é criminosa e inaceitável”, observa Habeeb. “Este é um crime hediondo que é completamente condenado. É inaceitável restringir a liberdade de protesto e matar e torturar o manifestante Uday al-Rabai. Nem todas as pessoas em Gaza fazem parte do Hamas, e elas têm o direito de expressar suas opiniões livremente.”
Hamas assassinou outras vítimas
Acredita-se que pelo menos outros cinco manifestantes também foram mortos pelo Hamas.
“Dias depois de milhares de habitantes de Gaza irados terem saído às ruas numa rara demonstração de dissidência contra o Hamas, o grupo respondeu com uma repressão brutal, executando pelo menos seis manifestantes”, segundo o India Today.
“Muitos outros foram açoitados publicamente, vários sequestrados e vários moradores de Gaza continuam desaparecidos, de acordo com relatos na grande mídia e nas redes sociais.”
O Hamas justifica a brutalidade ao chamar as vítimas de “colaboradores”. A acusação serve como sentença de morte. Hamza Howidy, que sobreviveu à tortura nas prisões do Hamas, relata o terror psicológico infligido aos prisioneiros: “Eles querem que você se sinta um nada.”
Enquanto isso, nos campi universitários dos EUA, o foco está na defesa de “compatriotas” ameaçados de deportação, não nas atrocidades do grupo Gaza, conforme relata o artigo.
Tal situação levou, no fim de março, nove cidadãos norte-americanos e israelenses a processaram organizadores e apoiadores de manifestações pró-Palestina na Universidade de Columbia, segundo a Reuters. Entre os que processam estão vítimas do ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023 e afiliados da universidade.
A ação, movida em um tribunal federal de Manhattan, acusa os manifestantes de atuarem como “braço de propaganda” e “empresa interna de relações públicas” do Hamas em Nova York e no campus.