O ministro Fernando Haddad, da Fazenda, desafiou publicamente ex-ministros da área econômica a debater e comparar os resultados de suas gestões no comando da política fiscal brasileira. A provocação, feita nas redes sociais às vésperas de deixar o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para disputar a eleição, mira especialmente o ex-ministro Paulo Guedes, que comandou a economia no governo de Jair Bolsonaro (PL).
Em vídeo publicado recentemente com a mensagem “lançado o desafio”, Haddad afirmou que está disposto a discutir publicamente o legado fiscal de sua gestão. Segundo ele, os números das contas públicas mostram melhora significativa desde o início do terceiro mandato de Lula.
“Eu estou disponível para conversar com qualquer pessoa que sentou na minha cadeira sobre as contas públicas e de qualquer período. Eu gosto de um debate. Faz tempo que eu não debato”, declarou o ministro em tom político na reta final de sua passagem pela Fazenda.
Há a expectativa de que Haddad deixe o governo nestas próximas duas semanas para disputar algum cargo eletivo por São Paulo, como confirmou na última sexta (13). Embora não tenha revelado para qual será, lideranças do PT defendem que ele concorra ao governo do estado para montar um palanque forte a Lula mesmo com a liderança consolidada de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) à reeleição.
Ainda no vídeo provocativo, Haddad também comparou dados fiscais do governo atual com o cenário projetado ao fim da gestão Bolsonaro. O legado do ex-presidente é frequentemente citado negativamente pelo ministro e por Lula.
“O déficit projetado para 2023 de Bolsonaro, dividindo pelo PIB do ano, foi superior a 1,6% do PIB. Chama qualquer um para sentar comigo em que auditório for, para discutir as contas que eu recebi. Quanto foi o déficit do ano considerando todas as exceções [às regras do arcabouço fiscal]? 0,48% do PIB”, pontuou.
Embora temas como déficit primário, regras fiscais e dívida pública não costumem mobilizar o eleitor comum, esses indicadores frequentemente são usados como argumento político em campanhas. A comparação entre os resultados das gestões de Haddad e Guedes tende a se tornar um dos principais pontos de disputa no debate econômico da eleição deste ano.
“Eu vou participar das eleições. […] [O cargo] eu vou anunciar depois da minha saída do ministério, a que eu vou ser candidato”, pontuou.
Alvo indireto das críticas, Paulo Guedes evitou confrontos públicos com o governo Lula desde o fim da gestão Bolsonaro. Ainda assim, o economista tem sido citado como um dos principais conselheiros do senador e pré-candidato à presidente, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a quem declarou “apoio total” em evento recente.