Na Guerra dos Seis Dias, entre 5 e 10 de junho de 1967, Israel derrotou as forças do Egito, Síria e Jordânia. Quase 60 anos depois, uma nova guerra, também em junho, desmistificou um inimigo que por anos era visto como uma ameaça. Entre os dias 13 e 25, Israel transformou o “futuro em agora”. Destruiu grande parte do arsenal nuclear e balístico iraniano.
Depois do cessar-fogo, o alívio da população, ao ver encerrada a Guerra dos 12 Dias, foi similar à da década de 1960. Naqueles anos, o povo saiu às ruas, às multidões, para celebrar a vitória, a sobrevivência, a própria identidade.
Desta vez, o alívio não vem em forma de festa, mas de contenção. Já vale, para a população, conseguir retomar as atividades rotineiras, muito mais afetadas pela atual guerra, por causa dos mísseis que se dirigiam diretamente aos civis.
Em 1967, Israel também tomou a iniciativa primeiro, antes que o Egito, com a aviação preparada, causasse um estrago que ameaçaria a existência do país. Décadas depois, com a mesma mescla de ímpeto e cautela, mas com recursos tecnológicos de ponta, Israel executou no Irã ataques contra dezenas de instalações nucleares.
Elas estavam distribuídas em múltiplas regiões e protegidas por infraestrutura subterrânea. Além disso, 35 dos principais comandantes e cientistas iranianos foram eliminados, em uma ação que teve como alvo a estrutura de comando e controle do país.
O comandante das Forças de Defesa de Israel (FDI) na Guerra dos Seis Dias, foi Yitzhak Rabin (1922 – 1995), futuro primeiro-ministro (1974 – 1977 e 1992 – 1995). Desta vez, contra o Irã, desde março sob o comando de Eyal Zamir (1966), as FDI não conquistaram territórios.
Com ataques a instalações nucleares de Natanz, Isfahan e Fordow, entre outras, destruiu boa parte da capacidade iraniana de produzir urânio. Preservou, assim, o seu próprio território de uma ameaça nuclear iminente.
“Fizemos o programa nuclear iraniano retroceder anos”, disse Zamir. “Isso vale também para o programa de mísseis.” Estes foram os “territórios” conquistados por Israel nesta guerra.
O colapso nervoso de Rabin em Israel
Nos dias que antecederam a guerra nos anos 1960, foi relatado que Rabin sofreu um colapso nervoso e ficou incapacitado de exercer suas funções. Depois dessa breve pausa, ele retomou plenamente o comando das FDI. Zamir não teve tempo para mal-estar.
As minúcias do Mossad, instituição de inteligência que inflitrou agentes de forma precisa, deram um grau de confiança extrema aos pilotos dos caças que bombardearam os principais alvos no país inimigo.
O sistema de defesa israelense também mostrou alta eficiência, ao interceptar a maioria das centenas de mísseis balísticos disparados pelo Irã, o que limitou o número de vítimas e danos em território israelense.
Enquanto a Guerra dos Seis Dias envolveu batalhas convencionais e a ocupação de territórios, a Guerra dos 12 Dias representa um confronto multidimensional contra uma ameaça nuclear e militar difusa. Israel penetrou profundamente em território inimigo e desarticulou sua capacidade estratégica.
Para analistas, o resultado não é apenas o enfraquecimento do programa nuclear iraniano e a perda de liderança militar, mas uma redefinição da geopolítica regional maior do que a da Guerra dos Seis Dias.
A guerra em 1967 garantiu a sobrevivência e a ascensão de Israel. A Guerra dos 12 Dias dá mostras de que terá um impacto mais resolutivo. Reafirma a capacidade de ação e dissuasão de Israel diante de ameaças contemporâneas. Pode ser o encerramento da guerra anterior.