A discussão entre o Brasil e os Estados Unidos ganhou um novo capítulo na tarde desta terça-feira, 15. Em comunicado, o governo federal — leia-se equipe direta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva — reclamou publicamente dos recentes posicionamentos do Departamento de Estado e da Embaixada dos EUA no Brasil, com críticas à situação jurídica do ex-presidente brasileiro.
“O governo brasileiro deplora e rechaça, mais uma vez, manifestações do Departamento de Estado norte-americano e da embaixada daquele país em Brasília que caracterizam nova intromissão indevida e inaceitável em assuntos de responsabilidade do Poder Judiciário brasileiro”, afirmou o Palácio do Planalto, em material que não conta com a assinatura de nenhuma autoridade. “Tais manifestações não condizem com os 200 anos da relação de respeito e amizade entre os dois países.”
Em relação à relação comercial, o governo brasileiro afirmou estar aberto a negociações. A ideia, neste caso, é evitar a aplicação da tarifa de 50% para os produtos exportados do Brasil para os EUA, conforme anunciou o presidente norte-americano na semana passada.
“No que se refere ao comércio, o Brasil vem negociando com autoridades norte-americanas, desde março, questões relativas a tarifas, de interesse mútuo, e está disposto a dar sequência a esse diálogo, em benefício das economias, dos setores produtivos e das populações de ambos os países”, afirma a equipe de Lula. “A equivocada politização do assunto não é de responsabilidade do Brasil, país democrático cuja soberania não está e nem estará jamais na mesa de qualquer negociação.”
Por que a Embaixada dos EUA e o Departamento de Estado irritaram o governo Lula?

Os dois órgãos que o governo Lula citou no comunicado desta terça-feira, Departamento de Estado norte-americano e a Embaixada dos EUA em Brasília, externaram apoio a Bolsonaro. Posicionamentos que coincidem com o avanço da ação penal contra o ex-presidente, com a Procuradoria-Geral da República pedindo a sua condenação por participação na suposta tentativa de golpe.
Na última quarta-feira, 9, a Embaixada dos EUA no Brasil definiu a situação jurídica de Bolsonaro como “perseguição política”. Para a representação diplomática, o processo contra o ex-presidente é “vergonhoso” e “desrespeita as tradições democráticas do Brasil”.
O Departamento de Estado, por sua vez, se manifestou nesta segunda-feira, 14. Em nota, o órgão afirmou que o governo Lula e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, promovem “ataques a Jair Bolsonaro, à liberdade de expressão e ao comércio americano”.
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