No programa Arena Oeste desta quinta-feira, 26, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) afirmou que votaria favoravelmente a um eventual processo de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Perguntado diretamente pelo jornalista Silvio Navarro se apoiaria a medida, Girão respondeu: “Mas é claro”. O parlamentar acrescentou que já protocolou pedidos de afastamento não apenas de Moraes, mas também dos ministros Luís Roberto Barroso e Gilmar Mendes.
Durante a entrevista, Girão reiterou críticas à atuação do STF e à condução política do governo federal. Para o senador, há um “alinhamento político e ideológico entre o governo Lula e o Supremo”, que, segundo ele, afeta negativamente a democracia e a segurança jurídica no país. “Hoje nós não temos democracia no Brasil, nós temos uma ditadura da toga”, afirmou.
Segundo o parlamentar, o Senado Federal tem responsabilidade direta pela atual crise institucional. “O caos institucional no Brasil só acontece porque o Senado, principalmente o Senado, é omisso”, disse. Ele criticou o fato de os pedidos de impeachment não serem analisados e defendeu que a população cobre uma renovação ampla no Congresso em 2026, especialmente no Senado.
Ao comentar a possibilidade de judicialização da decisão do Congresso sobre o IOF, Girão questionou a legitimidade da atuação do tribunal. “Quem manda no Brasil hoje, vamos combinar, é o STF”, criticou. Ele também classificou como inaceitável a decisão da Corte sobre o marco civil da internet, ao afirmar que “a censura agora está institucionalizada”.
O senador enfatizou que não teme retaliações por parte do Judiciário: “É o dever que a gente tem que fazer”, disse ao ser indagado se receava ser perseguido como outros parlamentares. Segundo ele, há colegas no Senado que evitam subir à tribuna com medo de represálias. “Eles andam com passaporte no bolso”, relatou.
Girão cobra reação institucional do Congresso frente ao STF
Girão defendeu que o Congresso reaja por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para “reiterar a liberdade de expressão” e criticou a possibilidade de regulação das redes sociais.
“Vai ser feito uma agência que vai regular isso?”, perguntou, ao criticar a concentração de poder e a ausência de contraditório. “Quem é que vai indicar? Vai ser aquele consórcio que nós tivemos na pandemia?”
O parlamentar também afirmou que a mobilização popular é essencial para que medidas como o impeachment de ministros avancem. “As grandes mudanças nesse país foram através das ruas”, declarou, ao confirmar sua participação em manifestações convocadas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Durante a entrevista, o senador abordou ainda o aumento do número de deputados federais e criticou a aprovação da proposta, bem como a condução do processo pelo senador Davi Alcolumbre (União-AP). Girão afirmou que a votação foi uma “manobra muito feia” e que “ontem foi uma derrota para o Brasil e uma vitória da politicagem com o dinheiro de quem paga imposto”.
Para o senador cearense, “a chave para reequilibrar os poderes da República” está nas mãos da sociedade, especialmente nas eleições do próximo ano. “Vai ter político escorregando em temas polêmicos”, previu “Qual é a sua posição sobre o impeachment, senhor candidato ao Senado?”
Girão se disse otimista com o futuro do país, mas defendeu que o próximo presidente seja firme diante do que classificou como “o grande problema do Brasil hoje”, em referência às “arbitrariedades que vêm do Judiciário”. Para ele, o Brasil “precisa só de ordem, e para ter progresso você precisa ter a Constituição do país sendo respeitada.”