Teresina - Piauí sábado, 07 de março 29°C
Destaque / Esporte

Flamengo perde quatro pênaltis, vê sonho escapar, e PSG é campeão mundial

Pedro se lamenta durante jogo entre Flamengo e PSG na Copa Intercontinental Imagem: Sports Press Photo/Getty Images

O sonho do Flamengo de vencer um poderoso europeu e levantar uma taça mundial novamente ficou pelo caminho. No último ato de uma temporada, um ponto de frustração pela derrota nos pênaltis diante do PSG, na final da Copa Intercontinental, em Doha, no Qatar. No tempo normal, empate por 1 a 1.

Na hora da decisão, o Flamengo perdeu quatro pênaltis e levou a pior por 2 a 1, em uma disputa que consagrou o goleiro Safonov, que defendeu as batidas rubro-negras (Saúl, Pedro, Léo Pereira e Luiz Araújo). Pedro foi o único a acertar.

E olha que o Flamengo fez um jogo até corajoso, sustentando o placar de 1 a 1 ao longo do tempo regulamentar e da prorrogação.

A crueldade do resultado, na perspectiva rubro-negra, também se dá pela falha do goleiro Rossi na jogada que resultou no gol de Kvaratskhelia, ainda no primeiro tempo.

Jorginho chegou a empatar, de pênalti, no segundo tempo, mas a competência na marca da cal parou por aí.

Foi a segunda derrota recente do Flamengo na final do Intercontinental: já tinha perdido para o Liverpool em 2019, na prorrogação.

De todo modo, o Fla de Filipe Luís se despede do ano com quatro títulos (Libertadores, Brasileirão, Supercopa e Carioca).

O elenco agora entra de férias. O Brasileirão começa em 28 de janeiro e, antes, a partir do dia 14, o time sub-20 vai jogar as primeiras rodadas do Carioca.

Como foi a decisão

A história da decisão começa com as escalações. Filipe Luís optou por voltar com Léo Ortiz na zaga – tirando Danilo, herói da final da Libertadores – e desenhou um ataque mais leve e rápido, com Carrascal, Plata e Bruno Henrique. Pedro começou no banco.

O ponto é que, independentemente da formação, o PSG já mostrou sua superioridade desde o início. Posse de bola, movimentação, passes rápidos e tranquilidade para tentar achar espaços. Não por acaso, a trinca de meio-campistas formada por Vitinha, João Neves e Fabián Ruiz dominou a Europa. Foi tudo o que o Flamengo não demonstrou.

O nervosismo estava aparente no lado rubro-negro. As dificuldades remeteram ao enredo do jogo contra o Bayern, no Mundial de Clubes do meio do ano.

Quando tinha a bola, o Flamengo não conseguia dar fluência ao jogo, errava jogadas com frequência e tentava sair do aperto com bolas longas que raramente Bruno Henrique conseguia dar continuidade. Sem a bola, por vezes apelava para faltas. Jorginho e Alex Sandro foram amarelados ainda na etapa inicial.

Rossi caótico

Rossi foi um personagem à parte. Primeiro, veio o lance de mais, muito mais, sorte do que juízo, logo aos 10 minutos de jogo.

Arrascaeta – muito marcado, em um retrato da pressão do PSG – deu um passe torto que iria para a linha de fundo. O goleiro, na tentativa de evitar a saída, afastou de qualquer jeito para a entrada da área. Fabián Ruíz, com classe, deu um tapa de canhota direto para o gol. Valeu?

Não, por sorte do Flamengo e seu goleiro. A jogada lembrou a recente trapalhada de Rossi no Fla-Flu, quando também foi resgatar uma bola que sairia em escanteio, trouxe para dentro da área e entregou nos pés de Serna. Desta vez, a marcação da arbitragem salvou. A bola saiu.

Mas a tensão e a insegurança do goleiro não pararam por aí. No outro lance capital do primeiro tempo, a bola acelerada por Doué, rasteira, atravessou a área e a defesa do Flamengo. Rossi se esticou para tentar impedir a passagem dela, mas não conseguiu o suficiente. Amorteceu e facilitou a finalização de Kvaratskhelia para o gol vazio, aos 37 minutos do primeiro tempo.

A chance mais clara do Fla

Ponto-chave do título da Libertadores e, mais recentemente, da vitória sobre o Pyramids, a bola parada trouxe a chance mais clara de gol no primeiro tempo. A batida de Arrascaeta teve Pulgar, sozinho, como destino. A questão é que o chileno mandou para fora, já aos 41 minutos do primeiro tempo.

Pedro entra, e Fla empata

Com a dificuldade do Flamengo de criar chances de ataque e reter a bola na frente, a primeira substituição de Filipe Luís foi a entrada de Pedro no lugar de Carrascal.

Bruno Henrique foi para a ponta esquerda, sua posição de origem. Aí, o Flamengo começou a evoluir.

Então, apareceu uma jogada crucial. O Flamengo pressionou o PSG em um lateral quase na linha de fundo. A bola travada por Bruno Henrique foi parar em Arrascaeta na área. Marquinhos, capitão da seleção brasileira e do PSG, errou o tempo de bola na tentativa de desarme e acertou a canela do camisa 10 do Flamengo.

O árbitro não marcou de imediato. Precisou do VAR para se convencer. Pênalti. Especialidade de Jorginho, que com seu pulinho deslocou Safonov e empatou o jogo.

Drama até o fim

O PSG intensificou a pressão após o empate. Luis Enrique até tirou Mayulu, que já tinha substituído o machucado Lee Kang-In no primeiro tempo. A opção foi por Barcola, muito mais “liso”. Rápido e driblador.

O Flamengo baixou as linhas e teve uma queda física. Filipe Luís então mexeu por atacado. Sacou logo os dois volantes. Saúl e De La Cruz foram a campo, além de Cebolinha. Este, no lugar de Arrascaeta.

Ou seja, o Flamengo passou a jogar em um 4-4-2 mais claro, com Bruno Henrique e Pedro no ataque. Mas a pressão era toda do PSG.

Léo Ortiz tinha dificuldades físicas. Em uma jogada, por exemplo, errou o passe no meio, mas depois fez um bloqueio salvador para evitar o gol do PSG. Dembélé, àquela altura, já tinha entrado. O melhor do mundo substituiu Doué aos 32 minutos do segundo tempo.

O Flamengo estava engatilhado para contra-atacar e conseguiu algumas saídas muito perigosas com Plata. Na primeira, ele serviu Pedro e o chute saiu desviado. Na segunda, Plata marcou bem a linha, saiu em condições, mas chutou muito forte na tentativa de encobrir o goleiro do PSG.

Na reta final dos 90 minutos, o Flamengo teve mais chances que o rival francês. Mas quem teve uma claríssima e poderia ter evitado a prorrogação? Marquinhos.

Depois de uma saída atabalhoada de Rossi no último lance, a batida cruzada para a área encontrou o zagueiro brasileiro. Ele não conseguiu direcionar o chute e mandou de volta para as mãos de Rossi. Loucura total. A final foi para a prorrogação.

Mais jogo!

O Flamengo se revigorou para a prorrogação. E aí o duelo ficou bem mais aberto, de início. Mas o desafio, além de técnico e tático, passou a ser físico.

Com o passar do tempo, ficou ainda mais explícita a grandeza das atuações de Alex Sandro e Varela no lado do Flamengo. Do banco do PSG, saíram garotos que tinham menos experiência do que os substitutos do lado brasileiro.

A última alteração de Filipe Luís foi a entrada de Samuel Lino, contratação mais cara da história do clube, no lugar de Plata, que fez um ótimo segundo tempo. Mas o empate persistiu. Foi para os pênaltis.

E nas penalidades?

De La Cruz começou bem, acertando. Vitinha empatou. Saúl parou em Safonov. Mas Dembélé, eleito o melhor do mundo, isolou. Pedro, depois, perdeu mais um para o Flamengo. Aí, Nuno Mendes colocou o PSG em vantagem. Embora Barcola tenha parado em Rossi, Léo Pereira e Luiz Araújo erraram as cobranças seguintes, confirmando então o título para o PSG.

FICHA TÉCNICA

PSG 1 (2) X 1 (1) FLAMENGO

Competição: Copa Intercontinental Fifa
Data e horário: 17 de dezembro de 2025, às 14h (de Brasília)
Local: Estádio Ahmad bin Ali, no Qatar
Ismail Elfath (EUA)
Assistentes: Corey Parker (EUA) e Kyle Atkins (EUA)
VAR: Allen Chapman (EUA).
Gol: Kvaratskheli, do PSG, aos 37’/1ºT; Jorginho, do Flamengo, aos 17’/2ºT
Cartões amarelos: Fabián Ruiz, Vitinha, Pacho (PSG); Jorginho, Alex Sandro, Pulgar, Plata, Saúl, Juninho (FLA)

PSG: Safonov; Zaïre-Emery, Marquinhos, Pacho e Nuno Mendes; Vitinha, João Neves, Fabián Ruiz e Lee Kang-In (Mayulu) (Bradley Barcola); Doué (Dembélé) e Kvaratskhelia. Técnico: Luis Enrique

Flamengo: Rossi; Varela, Léo Ortiz, Léo Pereira e Alex Sandro; Erick Pulgar (De la Cruz), Jorginho (Saúl) e Arrascaeta (Everton Cebolinha); Plata (Samuel Lino), Bruno Henrique (Luiz Araújo) e Carrascal (Pedro).
Técnico: Filipe Luís

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será publicado. Campos obrigatórios estão marcados.