Depois do acidente fatal entre um Porsche e um Renault Sandero, a família do motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana, morto em 31 de março de 2024, enfrenta cobranças judiciais pelo financiamento do carro destruído.
Ornaldo dirigia o Sandero comprado por R$ 37 mil via crédito bancário, com entrada de R$ 6,1 mil e 48 parcelas de R$ 1,2 mil, quando foi atingido pelo Porsche conduzido por Fernando Sastre de Andrade Filho, 24, a 136 km/h na Avenida Salim Farah Maluf, onde o limite é de 50 km/h.
Testemunhas afirmam que o empresário havia ingerido álcool. Restando 18 parcelas, o pagamento foi interrompido depois da morte. Desde então, a viúva, Francilene Morais de Caldas e os filhos Luam e Lucas recebem ligações diárias da financiadora Aymoré.
Família de motorista chegou a pedir que o veículo destruído no acidente fosse recolhido

A família pede que o banco recolha o veículo, estacionado perto de casa, para não servir de lembrança do acidente. Ao jornal O Globo, o advogado Jair Sotero da Silva afirma que o carro, alienado e sem seguro, deveria ter cobertura e que a dívida deve ser cobrada no inventário, não da viúva ou filhos. “O mais chocante é a falta de sensibilidade do banco”, disse.
O jornal não obteve resposta do advogado da Aymoré, Sergio Schulze. No processo, ele alega inadimplência desde abril de 2024 e cita decisão do Superior Tribunal de Justiça que valida notificação extrajudicial recebida por terceiros.
A ação pede apreensão do veículo em até 48 horas, com arrombamento e presença policial, se necessário, e transferência ao banco caso a dívida persista depois de cinco dias.
Fernando Sastre está preso na Penitenciária de Tremembé desde maio de 2024, aguardando julgamento por homicídio qualificado por “perigo comum” com dolo eventual e lesão corporal grave contra Marcus Vinícius Machado Rocha, passageiro do Porsche. Ele nega ter bebido antes da colisão.