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Ex-ministro de Lula é detido e deportado no Panamá

Ex-ministro de Lula é detido e deportado no Panamá

O ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o jornalista Franklin Martins, foi detido e deportado do Panamá após ser abordado por agentes de imigração no aeroporto da Cidade do Panamá na última sexta-feira. O caso ocorreu durante uma escala de viagem e levou o governo panamenho a enviar um pedido formal de desculpas ao Brasil neste domingo.

Segundo relato encaminhado ao Ministério das Relações Exteriores, Martins afirmou que foi conduzido a diferentes salas do aeroporto, onde respondeu a questionamentos sobre sua atuação durante o período da ditadura militar no Brasil e teve documentos retidos pelas autoridades locais.

Após a intervenção diplomática brasileira, o governo do Panamá enviou neste domingo (8) uma carta de desculpas ao Brasil. Em mensagem divulgada pelo portal ICL Notícias, o chanceler panamenho Javier Eduardo Martínez-Acha Vásquez afirmou que o episódio não reflete a posição do país em relação ao ex-ministro brasileiro.

“O evento não reflete, de forma alguma, a consideração e o respeito que o Governo da República do Panamá nutre pelo Sr. de Souza Martins, nem por sua distinta trajetória pública como jornalista e servidor público no Brasil durante os governos do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, declarou o chanceler.

Na mesma carta, Martínez-Acha também pediu desculpas pelo incidente e afirmou que Franklin Martins “será sempre bem-vindo ao Panamá”.

Relato do ex-ministro sobre a escala no Panamá

De acordo com relato divulgado pela Associação Brasileira de Imprensa, Martins disse ter sido informado por agentes de imigração de que não poderia seguir viagem e que seria deportado para o Brasil.

“Outro policial veio falar comigo. Disse que meu caso tinha sido decidido por seus superiores. Eu não poderia viajar para a Guatemala. Seria deportado de volta para o Brasil no primeiro voo com destino ao Rio de Janeiro”, afirmou.

Segundo ele, os agentes citaram a Lei de Migração de 2008 do Panamá, que impede a entrada ou conexão de estrangeiros considerados autores de crimes graves, como tráfico de drogas, crimes financeiros, assassinato ou sequestro. Martins afirmou ter respondido que não havia cometido crimes.

“Mais uma vez afirmei que não havia cometido crime algum, mas lutado contra uma ditadura. E me orgulhava disso”, disse.

O jornalista explicou que o Panamá era apenas uma escala em sua viagem. O destino final seria a Cidade da Guatemala, onde participaria de um seminário promovido pela iniciativa “Reconstruindo estados de bem-estar social nas Américas”, na Universidade Rafael Landívar.

Na carta enviada ao Itamaraty, Martins afirmou não acreditar ter sido alvo de perseguição pessoal, mas levantou a hipótese de que o episódio tenha ocorrido após cruzamento de dados entre autoridades de segurança.

Segundo ele, o procedimento pode ter resultado da cooperação entre sistemas de informação do Panamá e dos Estados Unidos.

“Uma observação final: é evidente que não se tratou de uma operação fortuita. Ela foi planejada, provavelmente a partir do cruzamento de informações das bases de dados panamenhas e/ou norte-americanas”, afirmou.

Antes de integrar o governo Lula, entre 2007 e 2010, o ex-ministro construiu carreira como comentarista político em veículos como a TV Globo e os jornais Jornal do Brasil e O Globo. Na juventude, durante a Ditadura Militar no Brasil, participou de grupos de oposição ao regime e viveu período no exterior. Sua passagem pelo governo também foi marcada por debates sobre regulação da mídia e políticas de comunicação, o que o tornou uma figura frequentemente citada em discussões políticas no país.

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