Relatos recentes de bastidores expõem a intensa movimentação do Partido Democrata dos Estados Unidos para esconder sinais de declínio cognitivo do ex-presidente Joe Biden. O tema referente à saúde mental do político voltou à tona um ano depois do debate contra Donald Trump, que culminou com a retirada de sua candidatura à reeleição.
Lindy Li, ex-integrante do Comitê Nacional Democrata e responsável por arrecadação de fundos, detalhou em entrevista ao site da emissora norte-americana Fox News as estratégias adotadas por assessores próximos de Biden. O objetivo era, de acordo com ela, proteger a imagem do então presidente, além de minimizar preocupações sobre sua idade avançada. Atualmente, o democrata tem 82 anos.
Depoimentos de ministros do governo Biden ao Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes e informações do livro Original Sin, de Jake Tapper e Alex Thompson, ampliaram as dúvidas sobre o que realmente ocorreu durante o mandato do democrata.
Banida da Casa Branca na era Biden

“Fui banida da Casa Branca do Biden por dizer a verdade quando era necessário”, afirmou Lindy, acrescentando que outros assessores democratas, como Tapper, só abordaram o tema depois do fim da carreira política de Biden, “quando nada mais estava em jogo”.
Lindy Li relatou que enfrentou hostilidade desde que se desligou do Partido Democrata e revelou ter alertado por anos sobre os riscos da idade de Biden. Segundo ela, a senadora Tammy Duckworth (Democrata-Illinois) afirmou em 2022 que Biden era velho demais para concorrer à reeleição. No entanto, um ano depois, Tammy estava na TV elogiando Biden e logo se tornou copresidente de sua campanha.
Embora lideranças democratas tenham acabado por apoiar a reeleição de Biden, Lindy conta que continuou questionando a decisão, o que lhe custou espaço no partido. “Ser tratada como criminosa foi chocante”, declarou. Ela disse que apenas sugeriu, de maneira respeitosa, que Biden considerasse se afastar — o que acabou ocorrendo, com escolha da então vice-presidente Kamala Harris para representante dos democratas na disputa contra Trump no ano passado.
Essas preocupações foram levadas por Lindy Li a figuras como Jaime Harrison (ex-presidente do Comitê Nacional Democrata) e Ken Martin (presidente atual). De acordo com ela, os dois “diziam que não prestavam atenção na saúde de Biden, mas estavam atentos e levavam tudo a sério”.
Por ser uma das mais jovens no comitê, Lindy acredita que suas opiniões não eram consideradas. Nesse sentido, classificou as ações do Partido Democrata dos EUA como “uma grande conspiração da esquerda”.