Depois de 17 anos, o governo dos EUA voltou a enviar armas nucleares ao Reino Unido. As bombas B61-12 foram enviadas para a base da Força Aérea norte-americana em Lakenheath. O envio ocorre no contexto de tensões elevadas desde a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022.
Essa ação militar acontece enquanto países europeus reforçam seus arsenais, preocupados com potenciais ameaças da Rússia. As B61-12 são bombas nucleares táticas, projetadas para serem lançadas por aviões em missões de campo de batalha. Até então, os EUA mantinham cerca de cem dessas bombas em seis bases de cinco países membros da Otan.
Na Bélgica, a Força Aérea já adquiriu caças F-35, aptos a utilizar as bombas, e o Reino Unido anunciou no mês passado que também adotará esse modelo, integrando-o à sua nova doutrina estratégica. Outros caças, como os F-16 norte-americanos e os Panavia Tornado alemães, também podem transportar essas armas. Apesar de serem operadas pelos EUA, as bombas podem ser lançadas por aeronaves dos aliados.
Com a chegada de 12 novos F-35, Londres passará a contar com a capacidade de ataque nuclear aéreo. Atualmente, o Reino Unido integra o grupo de nove potências nucleares e tem aproximadamente 225 ogivas, lançadas por mísseis balísticos de submarino. Junto à França, os britânicos anunciaram planos para coordenar seus arsenais nucleares, com o objetivo de garantir a proteção da Europa diante de um possível afastamento dos EUA sob Donald Trump.
Desde 2022, a expectativa era de que as bombas fossem enviadas, depois de o Pentágono incluir reformas na base de Lakenheath entre seus projetos. Embora não exista confirmação oficial dos governos envolvidos, múltiplos relatos atestam que as armas já estão armazenadas e prontas para uso.
A imprensa britânica, citando fontes, e sites especializados em assuntos militares, como o UK Defence News, informaram que as bombas foram transportadas ao longo deste mês, partindo do Centro de Armas Nucleares da Força Aérea em Kirtland, no Novo México.
Aviões C-17 foram vistos realizando o trajeto até Lakenheath.
A reação da Rússia
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, tratou o novo posicionamento como um sinal de escalada. “Nós vemos uma linha de escalada de tensões, rumo à militarização, incluindo a militarização nuclear. Nossos departamentos estão monitorando os desenvolvimentos e formulando missões para garantir nossa segurança ante o que está acontecendo”, afirmou Peskov.
O envio das bombas ao Reino Unido veio depois de a Rússia instalar armas nucleares táticas em Belarus, país vizinho de membros da Otan, como Polônia, Letônia e Lituânia. O governo polonês já solicitou aos EUA o envio de armamentos parecidos ao seu território. Especialistas apontam a região como potencial foco de conflito, com autoridades britânicas avaliando risco de confronto até 2030.
Moscou nega intenções ofensivas e classifica como alarmistas as preocupações ocidentais. As bombas táticas, como a B61, têm potência regulável entre 0,3 e 50 quilotons, superando em até 3,3 vezes a bomba lançada contra Hiroshima em 1945. Mais de 3 mil unidades já foram produzidas, sendo a versão mais recente avaliada em US$ 28 milhões (R$ 156 milhões).