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Estudo revela impacto econômico dos recursos marinhos no Brasil

Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) detalhou a estrutura da “economia azul” no Brasil, que reúne as atividades econômicas diretamente ligadas aos recursos marinhos. Por meio de um modelo inter-regional de insumo-produto, a pesquisa mostrou a importância econômica do litoral e sua forte ligação com regiões do interior do país.

O trabalho, conduzido por Eduardo Haddad e Inácio Araújo, pesquisadores da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (USP), foi publicado no periódico Ocean Sustainability.

“O que aportamos como inovação foi a mensuração da chamada economia do mar, com destaque para a dimensão geográfica e a interconexão da estrutura produtiva”, destaca Haddad, à agência do governo de São Paulo. “Isso gerou um conhecimento que pode servir de base para outros modelos”.

Em 2019, as atividades ligadas à economia azul representaram 2,91% do Produto Interno Bruto (PIB) e 1,07% do emprego nacional, com destaque para a extração de petróleo e gás natural, responsável por 60,4% desse PIB.

Outros setores importantes incluem administração pública, defesa, turismo costeiro, transporte marítimo e pesca.

“Em termos de valor, o grosso está no petróleo offshore, que contribui com mais de 60% do PIB azul brasileiro”, prossegue Haddad.

“Os outros quase 40% estão distribuídos em clusters como defesa, turismo costeiro, transporte marítimo e pesca.”

O estudo também evidenciou que a economia do mar tem grande impacto em áreas não costeiras, conforme ressalta Haddad. “É como se eu retirasse uma planta do solo e viesse junto toda a raiz, que havia se expandido até muito longe… “

Ele acrescenta:

“Eu costumo brincar dizendo que é por meio dessa interconexão econômica que o mar chega a Minas Gerais.”

Recursos marinhos regionais

Apesar da concentração da economia azul no Sudeste, existem diferentes especializações regionais, como o turismo e a pesca artesanal no Nordeste. Haddad ressalta:

“A economia do mar é importante de formas diferentes, dependendo da região”, observa. “No Rio de Janeiro, é o petróleo; no Ceará, são o turismo e a pesca.”

Os autores defendem uma melhor articulação das políticas marítimas no Brasil para promover o desenvolvimento sustentável, com Haddad afirmando:

“O que fizemos foi adotar uma abordagem integrada, que mede não apenas o efeito direto das atividades ligadas ao mar, mas também as interações com outras atividades econômicas, localizadas tanto na costa quanto no interior.”

A metodologia já está sendo aplicada em outras regiões do mundo, como Ilha da Madeira e no Peru.



Via Revista Oeste

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