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Entidade judaica critica posse de embaixador do Brasil no Irã

A Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp) criticou, nesta terça-feira, 24, a decisão do governo brasileiro de antecipar a posse de seu novo embaixador no Irã, André Veras Guimarães, enquanto o posto de embaixador do Brasil em Israel segue vago desde maio de 2024.

A nomeação ocorreu em meio à tensão no Oriente Médio, depois dos ataques aéreos de Israel a instalações militares iranianas. Em nota, a Fisesp declarou que a medida “é um sinal grave de desequilíbrio e uma ruptura com a tradição diplomática brasileira de busca por equilíbrio, diálogo e moderação, valores fundamentais para qualquer país que almeje protagonismo e papel mediador em questões internacionais.”

A entidade acrescentou que a ideologia está influenciando nesta atitude contraditória do governo brasileiro.

“Não se trata de política externa, mas de uma escolha ideológica equivocada, que contribui para o afastamento do Brasil de valores democráticos e da estabilidade regional”, declara a entidade em trecho do comunicado.

“A comunidade judaica brasileira, que vive em paz e contribui ativamente para a construção do nosso país, se sente profundamente ofendida e ameaçada por essas atitudes, que flertam com o antissemitismo ao ignorar o sofrimento do povo judeu e deturpar a realidade para demonizar o Estado de Israel.”

Desde maio do ano passado, a embaixada brasileira em Tel-Aviv está sob comando de um encarregado de negócios. O embaixador Frederico Meyer foi chamado de volta depois de durante imbróglio entre os dois governos, por causa de declaração do presidente Lula (PT), que comparou a ação das Forças de Defesa de Israel (FDI) à do exército nazista.

Discordância anterior

Ainda assim, Israel indicou, no início de 2025, o diplomata Gali Dagan para assumir a missão em Brasília, mas o Itamaraty ainda não respondeu ao pedido de agrément.

O episódio remete a tensões anteriores. Em 2015, o governo Dilma Rousseff recusou a nomeação de Danny Danon como embaixador de Israel, o que gerou protestos diplomáticos e congelamento temporário das relações entre os dois países.

A Fisesp também declarou ser “inaceitável que o governo brasileiro se feche ao diálogo com Israel, ao mesmo tempo em que estreita laços com um regime reconhecido por sua retórica de ódio, repressão às minorias e incentivo ao extremismo.”

O Ministério das Relações Exteriores confirmou a nomeação do embaixador no Irã, mas não comentou a situação da embaixada em Israel. Parlamentares da oposição anunciaram a intenção de convocar o chanceler Mauro Vieira para esclarecer a condução da política externa brasileira no Oriente Médio.



Via Revista Oeste

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