Teresina - Piauí sábado, 07 de março 30°C
Destaque / Política

Empresários pedem a Alckmin que governo evite retaliar os EUA

Representantes do setor produtivo pediram ao governo brasileiro que não retalie os Estados Unidos. O apelo foi feito ao vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, em reunião realizada na manhã desta terça-feira, 15, em Brasília.

Na semana passada, o presidente norte-americano Donald Trump anunciou que vai impor uma tarifa de 50% sobre exportações brasileiras. A medida entra em vigor em 1º de agosto.

Na reunião, as empresas também solicitaram que o governo peça mais tempo ao país para negociar. Segundo os representantes do setor, os 15 dias que restam até a entrada em vigor da medida são insuficientes para elaborar uma proposta técnica.

Além de Alckmin, participaram do encontro os ministros Fernando Haddad (Fazenda), Simone Tebet (Planejamento) e Rui Costa (Casa Civil). Dezoito representantes de associações e executivos de grandes empresas integraram a comitiva empresarial.

Empresários alertam para perdas no emprego e no PIB

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, afirmou que “não é prudente” haver retaliação em uma relação comercial considerada complementar. Ele também pediu que o governo evite “contaminação política” no debate. Os empresários defenderam que o governo seja “objetivo” e “pragmático”.

A recomendação veio horas depois da regulamentação da Lei da Reciprocidade, que permite ao Brasil retaliar os EUA em casos semelhantes. O setor também sugeriu que o governo solicite um adiamento de 90 dias nas tarifas. Para os industriais, não é possível construir uma alternativa técnica em apenas duas semanas.

De acordo com a CNI, as tarifas podem provocar a perda de 110 mil empregos e afetar o PIB. Os executivos alertaram que não há, no médio prazo, um mercado capaz de substituir os Estados Unidos nas exportações brasileiras.

Apesar dos pedidos, o governo brasileiro não pretende solicitar o adiamento da medida. “A ideia do governo não é pedir que o prazo seja estendido, mas é procurar resolver até o dia 31″, disse Alckmin depois do encontro. “O governo vai trabalhar para resolver nos próximos dias.”

Alckmin também afirmou que “sempre houve diálogo” entre os governos brasileiro e norte-americano.

“Eu mesmo conversei com Howard Lutenich, que é o secretário [de Comércio dos EUA], com o embaixador [Jamieson] Greer, da USTR [Escritório do Representante Comercial dos EUA]“, disse. “O Itamaraty também, depois mandamos até uma carta, pedido deles, confidencial, sobre negociação, até o dia 4 de julho, aliás, feriado norte-americano. Teve uma reunião de trabalho entre os técnicos, então sempre houve diálogo.”

Alckmin admite preocupação

Durante a tarde, o governo se reuniu com representantes do agronegócio. Alckmin admitiu preocupação com produtos perecíveis e embarques já em andamento. “É uma questão importante e urgente”, afirmou.

O presidente da Associação Brasileira de Carne Bovina (Abiec), Roberto Perosa, disse que os frigoríficos já começaram a interromper a produção destinada ao mercado norte-americano. Segundo ele, cerca de 30 mil toneladas de carne já estão nos portos ou a caminho dos EUA.

Alckmin informou que, nesta quarta-feira, 16, se reunirá com representantes das câmaras de comércio Brasil-EUA, indústria química, software, cooperativas, confederações patronais e centrais sindicais.



Via Revista Oeste

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será publicado. Campos obrigatórios estão marcados.