O delegado Fábio Alvarez Shor, da Polícia Federal, foi oficialmente nomeado assessor do gabinete do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira (10). A nomeação foi publicada na edição do dia do Diário Oficial da União (DOU) assinada pelo presidente da Corte, Edson Fachin.
Shor é especialista em contrainteligência e participou das investigações envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em inquéritos como a da suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, os atos de 8 de janeiro de 2023 e o episódio das joias sauditas.
“O presidente do Supremo Tribunal Federal […] resolve: nomear Fábio Alvarez Shor para exercer o cargo em comissão de Assessor de Ministro, nível CJ-3, no Gabinete do Ministro Alexandre de Moraes”, mostra o despacho de Fachin (veja na íntegra).
Durante as investigações do inquérito do suposto golpe de Estado, Shor foi o responsável por colher depoimentos do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro que fez um acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal. O delegado ainda atuou nas apurações sobre o caso conhecido como “Abin Paralela”, que apurou um suposto uso irregular da Agência Brasileira de Inteligência para monitorar autoridades públicas e adversários políticos durante o governo Bolsonaro.
De acordo com as primeiras informações, Shor trabalhará diretamente no apoio a processos criminais analisados por Moraes no Supremo. A função envolve assessoramento técnico em investigações e ações penais sob relatoria do magistrado.
A atuação de Shor nas investigações tornou o delegado alvo frequente de críticas da oposição. O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), por exemplo, fez ataques públicos ao delegado durante uma transmissão ao vivo em julho de 2025. Na ocasião, Eduardo sugeriu que o policial poderia sofrer sanções internacionais por causa das investigações.
“Você da Polícia Federal que está me vendo, um forte abraço. Você também, olha lá, a depender de quem for, já está sem visto, né. Vou ter que baixar a imagem do Fábio Shor”, disse.
O delegado também enfrentou críticas de advogados durante a fase de instrução das ações penais relacionadas à suposta tentativa de golpe. O advogado Jeffrey Chiquini chegou a acusá-lo de elaborar um relatório com informações falsas sobre o ex-assessor da presidência de Bolsonaro, Filipe Martins.
“A narrativa do Delegado Fábio Shor é factualmente falsa, temporalmente impossível e documentalmente desmentida”, disse Chiquini em um despacho ao STF ao pedir que Moraes descartasse a abertura de um novo inquérito contra Martins.