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Como funciona a recuperação extrajudicial de GPA e Raízen

Como funciona a recuperação extrajudicial de GPA e Raízen

Com a taxa Selic em 15% e o recorde de empresas inadimplentes, gigantes como Raízen e GPA recorrem à recuperação extrajudicial. O mecanismo jurídico permite negociar dívidas bilionárias diretamente com credores de forma ágil, buscando evitar a falência em um cenário de crédito caro e baixo consumo.

O que é exatamente a recuperação extrajudicial?

É uma tentativa de salvar a empresa antes de uma briga total na Justiça. Diferente da recuperação judicial comum, onde o juiz controla tudo desde o início, na extrajudicial a empresa chama os credores para conversar primeiro. Eles tentam fechar um acordo amigável sobre como as dívidas serão pagas. Se a maioria aceitar, o plano vai para o juiz apenas para ser oficializado. É um caminho mais rápido, barato e que evita o desgaste da imagem da companhia no mercado.

Quais as principais diferenças entre a recuperação judicial e a extrajudicial?

A principal diferença é a agilidade e o alcance. Na judicial, todos os credores entram no processo e as discussões podem durar anos. Na extrajudicial, a empresa pode escolher negociar apenas com grupos específicos, como bancos ou fornecedores. Além disso, enquanto um processo judicial é lento e burocrático, o extrajudicial costuma ser resolvido em poucos meses, dando um fôlego muito mais rápido para que a operação da empresa não pare.

Qual é a situação específica da Raízen neste processo?

A Raízen protagoniza a maior recuperação extrajudicial do Brasil, com uma dívida de R$ 65,1 bilhões. A empresa, que produz açúcar e energia, sofreu com o aumento dos juros, clima ruim que prejudicou a safra e investimentos altos que ainda não deram retorno. O plano deles é transformar parte da dívida em ações da empresa e receber um investimento novo de R$ 4 bilhões, sendo a maior parte vinda da sócia Shell, para colocar as contas em ordem.

Por que o Grupo Pão de Açúcar também precisou desse recurso?

O GPA enfrenta uma crise de falta de dinheiro em caixa após se separar de outras marcas, como o Assaí. Com uma dívida de R$ 4,5 bilhões e juros anuais que consomem quase R$ 1 bilhão, a empresa ficou sem margem para manobra. O objetivo deles é alongar os prazos de pagamento para ganhar fôlego. Para dar certo, além do acordo com os credores, eles precisam cortar R$ 415 milhões em gastos internos e melhorar o desempenho de suas lojas.

Como o cenário econômico do Brasil empurrou as empresas para essa saída?

Dois fatores principais criaram a ‘tempestade perfeita’: juros altos e famílias endividadas. Com a Selic em 15%, o custo para as empresas pegarem empréstimos disparou. Ao mesmo tempo, quase metade dos brasileiros está endividada, o que faz com que as pessoas comprem menos no varejo. Sem vendas e com empréstimos caros, empresas que dependem de refinanciamento constante, como a Raízen e o GPA, acabam sufocadas financeiramente.

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