Um artigo publicado nesta segunda-feira (9) na revista Proceedings of the National Academy of Sciences revela que os chamados cometas escuros podem ser divididos em duas categorias principais: objetos grandes, no Sistema Solar exterior, e os menores, mais próximos do Sol.
Embora o nome possa sugerir ligação com a matéria escura, na verdade, esses corpos são diferentes. São objetos sem cauda visível, mas com aceleração orbital semelhante à dos cometas tradicionais.
Em poucas palavras:
- Cometas escuros são divididos em grandes, no Sistema Solar exterior, com órbitas elípticas, e pequenos, próximos ao Sol, com trajetórias circulares;
- Eles diferem de cometas tradicionais por não liberarem gás, mas ainda apresentam aceleração não gravitacional intrigante;
- Cientistas dobraram o número conhecido desses objetos, sugerindo que eles podem ser mais comuns que asteroides ou cometas visíveis;
- Estudos indicam que esses corpos podem conter informações sobre a formação do Sistema Solar e o surgimento da vida na Terra.
Historicamente, a distinção entre cometas e asteroides parecia clara. No entanto, os cometas escuros desafiam essa categorização, ocupando um espaço intermediário. Estudos recentes indicam que esses corpos podem ser mais comuns do que asteroides convencionais ou cometas visíveis na região próxima à Terra.
Enquanto cometas geralmente liberam gás ao se aproximarem do Sol, criando suas características caudas, os cometas escuros não apresentam esse comportamento, mas ainda exibem aceleração não gravitacional.
Cometas são compostos por gelo e poeira, o que causa desgaseificação ao se aquecerem, alterando suas órbitas levemente. Já os asteroides, por serem essencialmente rochosos, não passam por esse processo. Assim, a descoberta de objetos que aceleram sem desgaseificação intrigou cientistas. Esses corpos foram apelidados de cometas escuros, um grupo que apresenta características híbridas, desafiando classificações binárias.
Darryl Seligman, astrofísico da Universidade Estadual de Michigan, nos EUA, liderou uma equipe que dobrou o número de cometas escuros conhecidos de sete para 14. Analisando propriedades como refletividade e órbitas, os pesquisadores identificaram dois subgrupos. Os menores, com menos de 100 metros, possuem órbitas circulares e estão próximos ao cinturão principal de asteroides. Já os maiores, com mais de 100 metros, têm trajetórias alongadas, semelhantes às dos cometas da família de Júpiter.
Os cometas escuros maiores apresentam órbitas mais elípticas, com períodos inferiores a 20 anos, indicando possíveis origens no Sistema Solar exterior. Muitos cometas da família de Júpiter foram redirecionados por interações gravitacionais com o gigante gasoso. No entanto, ainda não está claro se todos os cometas escuros compartilham uma história similar ou se têm origens distintas.
Objetos podem ter sido fonte de água da Terra primitiva
Em um comunicado, Seligman destaca que os cometas escuros podem fornecer informações valiosas sobre o passado do Sistema Solar. Além disso, eles poderiam ter desempenhado um papel crucial no surgimento da vida na Terra. “Esses corpos podem ser uma fonte de água e outros materiais essenciais para o desenvolvimento da vida”.

Um objeto relevante é ‘Oumuamua, o primeiro visitante interestelar registrado no Sistema Solar, que exibiu aceleração não gravitacional semelhante à de cometas escuros. Apesar disso, sua natureza ainda intriga os cientistas, que acreditam que ele possua características únicas. Segundo o coautor Davide Farnocchia, do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA, a investigação do ‘Oumuamua pode ajudar a desvendar mistérios sobre esses corpos celestes.
Os cometas escuros também se diferenciam dos chamados asteroides ativos, que liberam poeira sem desgaseificação de gelo. Um exemplo é o 3200 Faetonte, cuja interação com o Sol gera a chuva de meteoros Geminídeas.
Essa nova classificação de cometas escuros reforça a complexidade dos objetos celestes e aponta para a necessidade de estudos mais aprofundados.