O mundo discute hoje a agenda das mudanças climáticas. E parece haver um consenso sobre a responsabilidade do homem em tudo o que está acontecendo. O aquecimento global é culpa do desmatamento. É culpa do uso desenfreado de combustíveis fósseis. É culpa das emissões de gases que causam o efeito estufa.
Existem inúmeros estudos nesse sentido. Mas todos eles olham para cima, por assim dizer. Segundo pesquisadores da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, é preciso também olhar para baixo.
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Alguns historiadores dizem que civilizações antigas já utilizavam o petróleo, como a Mesopotâmia, para pavimentação de estradas. No mundo moderno, o primeiro poço data de 1859, nos Estados Unidos. Era um buraco de aproximadamente 21 metros de profundidade.
Levemos em consideração esse segundo registro. O homem perfura o solo há, pelo menos, 165 anos. E, de lá para cá, os poços foram ficando cada vez mais fundos.
E de lá para cá outros elementos foram sendo extraídos. O lítio que faz as nossas baterias, por exemplo, também vem do subsolo. E, assim, como o petróleo, ele é “substituído” por água no momento da extração. Para manter a pressão do reservatório.
De acordo com os cientistas, ainda não está claro o preço que teremos de pagar por isso.
Os fluidos subterrâneos da Terra
- Segundo a professora Jennifer McIntosh, de Hidrologia e Ciências Atmosféricas, essa “troca” feita pelo homem tem um “um grande impacto na circulação de fluidos no subsolo”.
- A equipe descobriu que as atuais taxas de movimento de fluidos induzidas por atividades humanas são mais elevadas em comparação com a forma como os fluidos se moviam antes da intervenção do homem.
- Uma das hipóteses levantadas é de que isso teria algum efeito sobre as mudanças climáticas.
- Além disso, a atividade humana teria potencial de alterar as formações de micróbios que vivem lá embaixo.
- A professora McIntosh explica que ainda restam muitas incógnitas sobre o subsolo profundo da Terra e que é importante continuar trabalhando nessas questões.
Uma leve alfinetada
Ao falar sobre as incógnitas, a professora McIntosh fez uma crítica a outros estudiosos:
“Precisamos usar o subsolo profundo como parte da solução para a crise climática. No entanto, sabemos mais sobre a superfície de Marte do que sobre a água, as rochas e a vida nas profundezas dos nossos pés”, disse ela.
Outro autor do estudo, Peter Reiners, seguiu no mesmo tom e também destacou a importância do subsolo em relação ao aquecimento global:
“A gestão responsável do subsolo é fundamental para qualquer esperança de uma transição verde, um futuro sustentável e manter o aquecimento abaixo de alguns graus”, afirmou o professor.
As informações são do IFL Science.