Em meio a tensões recentes nas relações com os Estados Unidos, o governo Lula optou por não seguir adiante na disputa por uma vaga na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), ligada à Organização dos Estados Americanos (OEA).
A decisão permitiu que o México, representado por José Luis Caballero Ochoa, conquistasse o cargo.
A votação, realizada na manhã desta sexta-feira, 11, terminou com 23 votos para Caballero Ochoa, enquanto Fábio Sá e Silva, candidato brasileiro, recebeu apenas 3 votos.
Outros cinco países preferiram votar em branco, consolidando o resultado desfavorável ao Brasil.
Resistências internas e acordo diplomático
Fontes ligadas ao governo disseram à revista Veja que, apesar do apoio público do Palácio do Planalto à candidatura de Fábio Sá, setores do próprio governo demonstraram resistência.
Diplomatas do Itamaraty atuaram para que o Brasil se retirasse da disputa, favorecendo um acordo com o México.
“Me parece que o Brasil quis fazer um gesto generoso em relação ao México, um gesto que não era necessário — porque o Brasil vinha vencendo as eleições –, mas que busca não tensionar as relações entre os países”, disse Fábio Sá ao portal G1.
Fábio Sá e Silva é professor e pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Ele havia sido indicado como representante de uma linha progressista na comissão.
Seu nome contou com o respaldo do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira; do advogado-geral da União, Jorge Messias; e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Candidato do Brasil à Comissão criticou tarifaço de Trump
Fábio Sá ainda criticou a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma nova tarifa de 50% às exportações brasileiras como retaliação aos abusos cometidos pelo governo Lula e pelo Poder Judiciário do Brasil.
“Nós estamos vivendo um momento da história em que decisões políticas estão sendo justificadas com direitos humanos como pretexto, e eu acho que a presença do Brasil neste espaço seria importante”, disse Fábio Sá. “Por um impedimento, eu não atuaria diretamente em nenhum caso do Brasil, mas eu poderia participar da discussão e trazer uma perspectiva brasileira no sentido de que a liberdade de expressão é um direito fundamental, mas ela tem limites.”