O jornal britânico Financial Times publicou uma reportagem nesta quarta-feira, 17, em que aponta como “o Brasil está se preparando para realizar as eleições locais mais caras de sua história”,ao gastar mais recursos com o fundo eleitoral do que com a proteção do meio ambiente.

“Políticos entregaram a si mesmos R$ 4,9 bilhões (US$ 900 milhões) em fundos públicos para pagar por atividades de campanha antes das eleições municipais em outubro”, aparece na publicação, “Os R$ 4,9 bilhões superam o orçamento anual de R$ 3,7 bilhões do Ministério do Meio Ambiente do Brasil, que, entre outras coisas, é responsável por coibir o desmatamento ilegal, a mineração de ouro e a grilagem de terras na Floresta Amazônica“.
O Financial Times lembrou como o fundo eleitoral cresceu de R$ 1,7 bilhão em 2018, ano de sua criação, para R$ 4,9 bilhões em 2024.
Segundo o Financial Times, “isso acontece em um momento em que o governo brasileiro está sob intensa pressão para cortar custos em meio às crescentes preocupações do mercado sobre a trajetória fiscal do país”.
O jornal britânico apontou como existem “preocupações sobre transparência e como os fundos são usados”.
O Financial Times entrevistou o deputado Zeca Dirceu (PT), que justificou os gastos bilionários como “razoáveis”, argumentando que “os recursos do fundo eleitoral são essenciais no exercício da democracia”.