O Brasil registra hoje, 9 de março de 2026, um recorde histórico de 81,2 milhões de brasileiros inadimplentes. O índice de calotes atingiu 4,2%, o maior nível desde 2011, impulsionado por juros altos em 15%, gastos públicos elevados e o impacto global de conflitos no Oriente Médio.
Qual é a gravidade da inadimplência atual no Brasil?
Estamos vivendo o pior momento para o bolso do brasileiro desde que o Banco Central começou a medir os dados em 2011. Quase metade da população adulta do país está com o nome sujo. Para se ter uma ideia, desde o início do governo Lula em 2023, mais de 11 milhões de pessoas entraram na lista de inadimplentes. O problema atinge principalmente quem está em idade de trabalhar, entre 26 e 60 anos, e também as empresas, que somam quase 9 milhões de CNPJs negativados.
Como os juros altos afetam esse cenário de calotes?
Os juros são o principal motivo dessa crise. Com a taxa Selic em 15%, o custo para pegar dinheiro emprestado ou parcelar uma compra ficou caríssimo. No crédito livre, onde os bancos definem as taxas, os juros superam 47% ao ano para pessoas físicas. Isso cria um efeito ‘bola de neve’: as famílias já estão com quase 30% de toda a sua renda comprometida apenas para pagar dívidas antigas, sobrando pouco para os gastos básicos do dia a dia.
O que explica o aumento recorde de empresas em recuperação judicial?
As empresas chegaram ao limite financeiro após anos de crédito restrito. No final de 2025, o Brasil tinha mais de 5.600 empresas tentando evitar a falência através da recuperação judicial — um processo onde a justiça ajuda a empresa a renegociar dívidas para não fechar. O valor total dessas dívidas saltou para R$ 40 bilhões. Além disso, uma decisão recente do STJ permitiu que o governo peça a falência de empresas por dívidas de impostos, aumentando a pressão.
De que forma a gestão do governo Lula influencia esses números?
Especialistas apontam que o governo tem gastado muito e focado em dar auxílios para estimular o consumo. Embora isso ajude temporariamente a renda, acaba gerando inflação. Para combater essa inflação, o Banco Central é obrigado a manter os juros altos. Esse conflito de objetivos econômicos faz com que o crédito encareça logo após o consumo subir, resultando em mais brasileiros que não conseguem honrar suas parcelas.
Como a guerra no Irã pode piorar a economia brasileira?
O Brasil está em uma trajetória de queda, enquanto outros países já se estabilizaram. Se o conflito no Irã durar muito tempo, o preço do petróleo pode subir acima de 100 dólares. Isso causaria uma nova onda de inflação no mundo todo e aqui no Brasil. Se os preços subirem, os juros terão que ficar altos por mais tempo, adiando qualquer chance de melhora na inadimplência, que hoje só é esperada para começar a cair de verdade em 2027.