sexta-feira, abril 4, 2025
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Bebê de 13 mil anos revela dieta à base de mamutes

Restos mortais de um bebê enterrado há 13 mil anos em uma área onde hoje é Montana, no norte dos EUA, revelaram que o povo Clovis Ocidental tinha uma dieta essencialmente baseada na carne de mamute. 

De acordo com um artigo publicado nesta quarta-feira (4) na revista Science Advances, que descreve a descoberta, esses animais eram a principal fonte de proteína para a sobrevivência dos primeiros ameríndios.

Batizado de Anzick-1, o bebê morreu com cerca de 18 meses, ainda na fase de amamentação. Isso permitiu que os pesquisadores identificassem a dieta da mãe por meio da análise de radioisótopos (átomos de um elemento com diferentes variações nucleares) presentes nos ossos da criança. Esses átomos deixaram uma “impressão digital isotópica” indicando que cerca de 40% da alimentação da mãe era composta por carne de mamute.

Tirada em 1975, esta fotografia mostra o local onde Anzick-1 foi encontrado. Crédito: Larry Lahren

Clovis Ocidentais eram exímios caçadores de grandes herbivoros

Outros grandes herbívoros, como alces (Cervus canadensis) e bisões (Bison bison), também faziam parte da dieta, mas em menor proporção. A pesquisa desafia teorias anteriores que sugeriam que os Clovis se alimentavam principalmente de pequenos animais, mostrando que eles priorizavam a caça de megafauna para garantir a subsistência.

“Os Clovis Ocidentais se especializaram em caçar mamutes e outros grandes herbívoros, em vez de depender de presas menores”, destacaram os autores do estudo. Essa competência fornecia uma vantagem importante em um ambiente instável, como o da região durante a última era glacial.

A carne de mamute era rica em gordura e proteína, elementos essenciais para a sobrevivência em condições adversas. Além disso, esses animais migravam por longas distâncias, oferecendo uma fonte estável de alimento em diferentes regiões. Essa estratégia permitiu que o povo Clovis se expandisse rapidamente pela América do Norte.

O povo Clovis viveu entre 13 mil e 12,7 mil anos atrás e, por muito tempo, foi considerado o primeiro grupo humano a habitar o continente. No entanto, descobertas recentes indicam que outros povos chegaram às Américas até 10 mil anos antes. Ainda assim, os Clovis se destacaram pela eficiência na caça e pela capacidade de adaptação a diferentes ecossistemas.

Caça excessiva pode ter ajudado a extinguir os mamutes na América do Norte? Crédito: Imagem feita com inteligência Artificial. Alessandro Di Lorenzo/Olhar Digital/DALL-E

Em um comunicado, Ben Potter, arqueólogo da Universidade de Alasca Fairbanks, a mobilidade dos Clovis era favorecida pela caça de grandes presas. “Eles podiam se deslocar para novas áreas sem depender de pequenos animais, que variavam de acordo com o ambiente”. Essa flexibilidade permitiu que eles ocupassem vastas áreas em um curto período.

James Chatters, paleontólogo da Universidade McMaster e membro da equipe de pesquisa, ressaltou que a dependência dos Clovis em relação aos mamutes pode ter contribuído para a extinção desses animais no final da última era glacial. “A caça intensa de mamutes pode ter acelerado seu desaparecimento, alterando o equilíbrio ecológico da época”.

O estudo reforça que a relação dos Clovis com a megafauna moldou sua cultura, tecnologia e expansão territorial. Além de garantir a sobrevivência desses povos, a caça eficiente de grandes herbívoros também definiu seu papel na transformação do ecossistema pré-histórico das Américas.

Via Olhar Digital

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