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Banco Pleno: Lima tentou vender Credcesta para o PicPay

Negociação com a fintech dos irmãos Batista fracassou logo que o empresário exigiu a compra de todo o conglomerado

À esquerda, Augusto Lima, sócio do Banco Master; à direita, Daniel Vorcaro, fundador da instituição financeira | Foto: Divulgação/Master

Augusto Lima, dono do Banco Pleno e ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, tentou vender o programa de cartão consignado Credcesta para o PicPay antes de o Banco Central decretar a liquidação de sua instituição. Segundo informações reveladas pelo portal UOL, as conversas com a fintech do grupo J&F não avançaram porque Lima condicionou o negócio à aquisição de todo o Banco Pleno, e não apenas da carteira de cartões. Com a intervenção estatal oficializada, qualquer tentativa de venda agora depende do liquidante, enquanto os bens de Lima permanecem indisponíveis.

Ao site, o PicPay, controlado pelos irmãos Joesley e Wesley Batista, negou oficialmente estar em negociações para adquirir o Credcesta. No entanto, a fintech possui planos ambiciosos para o setor de consignados, especialmente após captar US$ 500 milhões em seu IPO na Nasdaq. Conforme a apuração do UOL, o banco dos Batistas busca crescer organicamente e por meio de aquisições, tendo comprado a BX Blue em 2023 e solicitado ao Cade a compra da seguradora Kovr, que pertencia ao Master e foca em seguro prestamista para o mercado de crédito.

A estratégia de consignados e o consultor investigado

Para desenhar sua expansão no setor, o PicPay contratou Márcio Alaor, consultor que ajudou o Banco Master na mesma área. Alaor é um nome conhecido no mercado desde a época do Banco BMG, mas carrega um histórico controverso. Segundo o site, ele integra uma lista de 21 pessoas investigadas por uma CPMI do INSS sob suspeita de fraudes contra aposentados. Em setembro passado, a comissão solicitou ao STF a prisão preventiva desses investigados, pedido que ainda aguarda julgamento na Corte.

Márcio Alaor foi vice-presidente do BMG durante o escândalo do Mensalão, episódio que também envolveu a venda de carteiras de consignado e empréstimos simulados ao PT. O esquema atual investigado no Master guarda semelhanças com o do passado, mas em escalas superiores: enquanto o Mensalão operava na casa dos milhões, as fraudes atribuídas ao grupo de Vorcaro e Lima podem atingir R$ 12 bilhões.

O ativo valioso na Bahia

O Credcesta representa o principal patrimônio do Banco Pleno e foi o ponto de partida dos negócios do Master. O grande valor do ativo reside em um contrato de exclusividade de 15 anos firmado com o governo da Bahia. Esse acordo permite que a instituição ofereça serviços financeiros a servidores e aposentados estaduais, com margem de até 30% na folha de pagamento.

O portal UOL destaca que o uso de seguros prestamistas nessas operações gera inúmeras queixas de consumidores e denúncias de venda casada na Justiça. Com a liquidação do Banco Pleno, o mercado monitora como o liquidante tratará esse contrato bilionário com o estado baiano, visto que o ativo é fundamental para o ressarcimento de credores e a tentativa de minimizar o rombo deixado pela gestão de Augusto Lima.

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