O Banco do Brasil (BB) revelou que o atraso no pagamento de R$ 3,6 bilhões por um único cliente impactou diretamente os resultados do quarto trimestre de 2025. O índice de inadimplência acima de 90 dias atingiu 5,17% no período, mas recuaria para 4,88% caso essa operação específica fosse excluída do balanço. Embora o banco preserve o sigilo bancário, o mercado identifica a dívida como parte do processo de liquidação de ações da Braskem dadas como garantia pela Novonor, a antiga Odebrecht.
A Braskem negou qualquer inadimplência ou exposição financeira direta com a instituição em comunicado ao mercado. A perda do BB refere-se aos papéis da petroquímica que serviam como colateral para dívidas da Novonor. Em dezembro de 2025, a gestora IG4 Capital fechou um acordo para adquirir esses créditos garantidos por ações, uma operação que envolveu cerca de R$ 20 bilhões e incluiu também os bancos Itaú, Santander e Bradesco.
O vice-presidente de Controles Internos e Gestão de Riscos do banco, Felipe Prince, explicou que a dívida passou para um fundo especializado em créditos de maior risco. Segundo o executivo, o banco tentou implementar diversas soluções no passado sem sucesso e criou uma estrutura para regularizar o crédito em 2025. Durante o processo de negociação e transferência dos ativos, a operação acabou classificada tecnicamente como inadimplente, o que gerou o impacto nos indicadores do último trimestre.
O episódio afetou o índice de cobertura para créditos de liquidação duvidosa, que caiu para 155,4%. Sem o imbróglio envolvendo a Novonor, o indicador de reserva do banco estaria em 164,7%. Prince assegurou que o caso está isolado no balanço de 2025 e não deve provocar novos impactos negativos nos resultados do primeiro trimestre de 2026. A diretoria foca agora na estabilização das métricas de risco da carteira de crédito
O lucro líquido do BB em 2025 somou R$ 20,69 bilhões, uma queda de 45,4% na comparação com o ano anterior. No quarto trimestre, o lucro líquido ajustado foi de R$ 5,7 bilhões, valor que representa um recuo de 40,1% em relação ao mesmo período de 2024. Apesar da queda anual, o resultado trimestral superou as projeções do mercado e apresentou uma alta de 51,7% na comparação com o terceiro trimestre de 2025.