Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), exigiu nesta segunda-feira, 23, que o Irã permita acesso imediato às suas instalações nucleares. A solicitação tem como foco a verificação dos estoques de urânio altamente enriquecido, em níveis próximos ao necessário para produção de armamentos nucleares.
Durante a abertura da reunião de emergência realizada na sede da AIEA, em Viena, na Áustria, Grossi destacou que a situação exige uma resposta urgente. Ele afirmou que os inspetores precisam voltar às instalações iranianas para checar com precisão os estoques, especialmente os 400 quilos de urânio com enriquecimento de 60%.
O governo iraniano, segundo Grossi, enviou um comunicado à agência no dia 13 de junho. No documento, o país informou ter adotado “medidas especiais para proteger os equipamentos e materiais nucleares”. Apesar disso, a carta não traz informações suficientes sobre quais ações foram aplicadas nem oferece garantias de transparência.
Sem acesso às unidades e sem dados técnicos claros, a AIEA afirma enfrentar sérias limitações para confirmar se o programa nuclear do Irã se mantém restrito a fins pacíficos
Sem acesso às unidades e sem dados técnicos claros, a AIEA afirma enfrentar sérias limitações para confirmar se o programa nuclear do Irã se mantém restrito a fins pacíficos. Grossi ainda ressaltou que o volume de urânio enriquecido ultrapassa em larga escala o limite permitido pelo acordo firmado em 2015.
O impasse se soma às dificuldades diplomáticas que marcam as tentativas de reativar o acordo nuclear, rompido pelos Estados Unidos em 2018. A agência internacional reforça que a retomada do monitoramento completo é essencial para impedir qualquer possibilidade de desvio de materiais para desenvolvimento de armas nucleares.